Coaching Executivo e Empresarial no Brasil e no Mundo
29/12/2009
Mensagem da Presidência
30/12/2009
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RESENHA: Otto Laske

Por Rosa R. Krausz

Otto Laske, um dos teóricos mais produtivos na área de Coaching, afirma (2005) que o preparo de Coaches encontra-se em uma fase de transição e defende um modelo de educação de Coaches baseado na pesquisa, com foco na intersecção da teoria com a pedagogia e a educação.

Sua concepção de educação de Coaches baseia-se na teoria construtivista da mente e na expansão da autoconsciência e apoia-se em três pressupostos:

As pessoas podem beneficiar-se de observações de seus processos mental e emocional e os Coaches constituem observadores destes processos que ligam os Coachees a si próprios, aos outros e ao contexto social. Para tanto precisam estar suficientemente informados sobre o estágio presente de desenvolvimento de seu Coachee para poder contribuir.

Considerando que o processo de Coaching se dá através da linguagem e da compreensão das formas de pensar do Coachee a escuta ativa ou escuta desenvolvimentista, uma formação de Coaches que não inclua um sentido mais apurado da importância do discurso e da habilidade de escutar não estará preparando o futuro Coach para contribuir para o crescimento do Coachee.

As competências de Coaching são utilizadas pelos que praticam esta atividade de acordo com o seu nível atual de capacidade, pois é nesta que embasa o real uso das competências. Como afirma o autor, “uma mesma competência, por exemplo, questionamento potente, será usado diferentemente por indivíduos em diferentes níveis de Capacidade” (p. 3).

Uma outra questão levantada é a “tendência inata do adulto de expandir sua capacidade” e nesta o autor adota as duas vertentes propostas por Wilber: a cognitiva e a sócio emocional. Quando as pessoas amadurecem na sua capacidade sócio emocional, estas tendem a ultrapassar a rigidez do pensamento lógico formal, adquirir formas de pensamento dialético, o que ajuda a lidar com as contradições e paradoxos da vida real, a adotar formas de pensamento dialético, formas essas sujeitas a constantes transformações.

Um Coach que é capaz de pensar dialeticamente possui consciência e sensibilidade para entender que a “realidade” de seu Coachee flui constantemente de modo que nenhuma regra ou receita poderá capturar. Isto implica em que o próprio indivíduo, em seu processo de formação para ser um Coach, precisa ser visto como uma forma em evolução a que se oferece desafios pedagógicos que abrem e estimulam seu autodesenvolvimento como adulto, além de propiciarem múltiplas abordagens de Coaching.

Laske propõe um modelo de formação de Coaches em três fases:

Programa 1
O Eu sócio emocional
O Eu cognitivo
Equilíbrio necessidade/pressão

Programa 2
Desenvolvido através de Master Classes. Os participantes trazem 3 casos que são apresentados e discutidos com os colegas e cuja finalidade é desenvolver a fluência no pensamento desenvolvimentista sistêmico, a troca de resultados das observações e comentários sobre a prática profissional.

Programa 3
Para os que desejam obter um título de Especialista ou Mestre, em conjunto com uma Universidade ou instituto de ensino superior.

Algumas considerações do autor merecem atenção:

A formação de Coach não é um mero exercício intelectual focado na aquisição de novas ferramentas e habilidades. Exige uma experiência transformadora que preceda o trabalho com clientes.

Coaches são preparados para adotarem perspectivas múltiplas e complementares tanto em relação a si mesmos, como também em relação aos seus clientes.

Coaches desenvolvem elevada capacidade de escuta e de questionamento potente. Não prejudicar o cliente deve ser o supremo princípio do trabalho de Coaching.

Embora se trata de um artigo voltado para divulgar os princípios, a metodologia e o programa do Interdevelopmental Institute do qual Laske é fundador e presidente, o artigo tem o mérito de levantar algumas questões relevantes para a formação de Coaches em geral, uma vez que coloca esta formação num quadro de referência amplo que é o de desenvolvimento de adultos, dentro do qual foca as necessidades de desenvolvimento contínuo tanto do Coach, como de seu cliente.

Cria, desta forma, uma oportunidade de reflexão para Coaches já atuantes, pessoas que pretendem ingressar nesta atividade, clientes diretos e profissionais que contratam este tipo de serviço, a respeito das competências cognitivas e capacidades sócio emocionais necessárias para um processo de Coaching eficaz e ético que atenda às reais necessidades apresentadas pelo consumidor final deste serviço.

Publicado em 30/12/2009 

Rosa R. Krausz é Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais, Mestre em Ciências Sociais e Doutor e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo onde lecionou na Faculdade de Saúde Pública, Faculdade de Filosofia e Letras e Faculdade de Enfermagem.Desde 1976 trocou a vida acadêmica pelo trabalho de Treinamento e Consultoria em RH.É Analista Transacional Didata pela International Transactional Analysis Association (ITAA) e pela União Nacional de Analistas Transacionais – BRASIL (UNAT-BRASIL) e Full Member da Worldwide Association of Business Coaches (WABC), tendo participado do Painel Especializado de Certificação Internacional.

Autora de vários livros de sua especialidade, publicou também inúmeros artigos nos Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Holanda, participou de Congressos nacionais e internacionais como conferencista convidada.

Tem longa experiência em Coaching de executivos, mesmo antes desta designação ser utilizada.

Forma e supervisiona Coaches executivos e empresariais, fundadora e primeira presidente da ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial.

 

Referências Bibliográficas

Laske, O. (2005). From Coach Training to Coach Education: Teaching Coaching within a Comprehensively Evidence Based Framework. International Journal of Evidence Based Coaching and Mentoring 3.2.