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RESENHA: Coaching Executivo e Empresarial

Por Rosa R. Krausz

Neste número abordaremos dois trabalhos de caráter acadêmico, sendo um brasileiro e outro finlandês. Ambos abordando temas relevantes para o Coaching Executivo e Empresarial e ilustram o crescente interesse pelo assunto.

O primeiro, Coaching Executivo e Empresarial: Um estudo sobre esse processo e seu papel nas organizações, da autoria de Gislene de Moraes Dias, foi apresentado em 2013 como um dos pré-requisitos para a obtenção do título de Mestre em Gestão de Negócios das Faculdades Integradas Rio Branco em São Paulo.

Trata-se de um trabalho cuidadoso que se propõe a abordar “como funciona o Coaching Executivo e o trabalho desenvolvido pelo Coach nas organizações, considerando a cultura e a liderança presente”.

Inicialmente são abordadas questões relacionadas com as origens do processo de coaching, conceitos e diferenças entre Coaching e outras intervenções. Estes capítulos colaboram para a compreensão do Coaching como um fenômeno relacional que se dá num contexto sócio cultural determinado e como tal sujeito a influência de inúmeras variáveis intervenientes.

São analisadas também as várias áreas de aplicação do Coaching Executivo e Empresarial, em particular as diferenças e semelhanças entre Coaching Interno e Coaching Externo e sua utilização no ambiente organizacional.

Um outro aspecto interessante é a análise e discussão dos diferentes modelos de Coaching disponíveis, ampliando assim as possibilidades de escolhas que melhor condizem com o Coach, com o Coachee, com o contexto e com o embasamento teórico do primeiro.

Outro ponto relevante da tese é a análise cuidadosa do processo de Coaching Executivo e Empresarial e sua operacionalização, focando perfil do Coach, duração e fases do processo, frequência das sessões e relação Coach/Coachee, bem como os tipos de assessment que tem sido utilizados.

Conclui a autora que “independente do tipo e das ferramentas utilizadas, se bem escolhidas e, se respeitada a cultura organizacional existente, o coaching poderá ser o grande diferencial e auxiliar muito para o crescimento das pessoas envolvidas e da empresa como um todo”.

A conclusão evidencia uma crescente conscientização do verdadeiro papel do Coaching Executivo Empresarial como uma intervenção estratégica que tem o potencial para acionar processos de aprendizagem contínua e o desenvolvimento de pessoas, equipes e da organização como um todo.

O segundo – Coaching Methods for SME’s: A case study, Kartriina Dunn e Anne Kovanen. JAMK University of Applied Studies – Finlândia, 2010 – é um estudo de caso de uma pequena empresa que utiliza um modelo de Coaching específico, o de Jenny Rogers (2008).

Os dois primeiros capítulos discutem o conceito de Coaching e as diferentes abordagens e métodos de Coaching entre os quais o Coaching Executivo que é definido como “a arte e a ciência de facilitar o desenvolvimento profissional e pessoal, a aprendizagem e o desenvolvimento de um executivo ao expandir suas opções de comportamento de forma autêntica” Dembkowski et al. 2006, p.27.).

O restante do trabalho foca o caso através de uma perspectiva humanística e de empoderamento do Coachee a partir dos 6 princípios de Coaching propostos por Rogers (2008, p.7):

  • O cliente possui recursos;
  • O papel do Coach é desenvolver os recursos do cliente através de questionamentos, desafios e suporte adequados;
  • Coaching foca a pessoa completa – passado, presente e futuro;
  • O cliente estabelece a agenda;
  • Coach e cliente são iguais;
  • Coaching diz respeito a mudança e ação.

São descritas as 5 sessões de Coaching realizadas com a cliente, cada uma com um objetivo e com questionamentos diversos e termina com a reflexão do cliente a respeito do que aprendeu durante o processo.

As autoras “diagnosticam”, de uma forma simplista, que se trata de uma dificuldade relacionada com gestão do tempo e buscam legitimar sua conclusão com algumas observações sem, porém, fundamenta-las.

Uma informação surpreendente é que uma das expectativas da cliente foi a de receber mais instruções diretas e orientação indicando a ausência de um processo de contratação e de alinhamento entre necessidades da cliente e atuação das Coaches e o fato da primeira de não ter sido informada previamente a respeito da não diretividade.

Uma das conclusões das autoras foi de que o tempo foi insuficiente/limitado para avaliar os resultados e determinar os próximos passos a serem tomados.

Uma análise da metodologia usada, caracterizada pela rigidez de predefinição do conteúdo de cada sessão sinaliza não só a inadequação e ineficácia desta prática, como representa uma desconsideração das demandas do coachee e do princípio fundamental de retirar o foco do “ensino” centrado no Coach e voltar-se para a aprendizagem focada no Coachee.

Como podemos observar, reduzir o Coaching a um número pré-definido de sessões onde se abordam questões pré-estabelecidas alheias aos objetivos do Coachee não propicia condições que favoreçam minimamente a realização de um processo de Coaching.

Talvez esta tenha sido a principal contribuição deste trabalho: um exemplo de como não submeter o processo de coaching a um engessamento que impeça que sua fluidez e adequação gerem os resultados almejados pelo Coachee.

Publicado em 08/06/2013

 

Rosa R. Krausz é Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais, Mestre em Ciências Sociais e Doutor e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo onde lecionou na Faculdade de Saúde Pública, Faculdade de Filosofia e Letras e Faculdade de Enfermagem.Desde 1976 trocou a vida acadêmica pelo trabalho de Treinamento e Consultoria em RH.É Analista Transacional Didata pela International Transactional Analysis Association (ITAA) e pela União Nacional de Analistas Transacionais – BRASIL (UNAT-BRASIL) e Full Member da Worldwide Association of Business Coaches (WABC), tendo participado do Painel Especializado de Certificação Internacional.

Autora de vários livros de sua especialidade, publicou também inúmeros artigos nos Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Holanda, participou de Congressos nacionais e internacionais como conferencista convidada.

Tem longa experiência em coaching de executivos, mesmo antes desta designição ser utilizada.

Forma e supervisiona coaches executivos e empresariais, fundadora e primeira presidente da ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial.

 

Referências Bibliográficas

DEMBKOWSKI, S.; ELDRIDGE, F.; HUNTER, I. (2006). Seven Steps of Effective Executive Coaching.GBR:Thorogood.

ROGERS, J. (2008). Coaching Skills: A Handbook. Londres: Open University.