Conceitos de Coaching
26/07/2015
Boletim Informativo – Ano 09, Setembro de 2015 – Número 03
25/09/2015
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Quem é o Coach Executivo e Empresarial?

Por Rosa R. Krausz
Um indivíduo não acumula aprendizagem tal como o faz com bens materiais, porém transforma-se numa nova pessoa ao incorporar esta aprendizagem ao seu novo eu”. Bennis (1985).Coaching Executivo e Empresarial é uma área de interesse do management em geral e aborda o impacto causado pela atuação dos gestores no funcionamento / desempenho dos grupos e das organizações produtoras de bens ou serviços.

A existência desta área, como indicam os levantamentos sistemáticos documentados, antecede a desordenada expansão que tem ocorrido nos últimos anos em vários países e nos diferentes continentes.

A proliferação do Coaching Executivo e Empresarial (CEE) vem a reboque da popularização e resultante distorção do processo de Coaching em geral, oferecido no mercado como uma “espécie de panacéia” para solucionar dificuldades que as pessoas encontram nas várias áreas e em diferentes momentos de suas vidas.

Tal modismo gerou uma demanda crescente, nem sempre adequadamente informada, que estimulou a oferta indiscriminada dos chamados “treinamentos de coaches” cuja heterogeneidade de conteúdos, duração, metodologia e objetivos tendem a ficar aquém da qualidade e da competência esperada. Como afirmam Ennis et al. (2005, p.6).

Frequentemente os treinamentos para coaches oferecem pouco mais do que alguns dias de atividades, com algum coaching de acompanhamento. Como a lista de competências demonstra, não faz sentido esperar que um indivíduo se torne um coach efetivo em uma semana ou até mesmo um mês”.

A saturação do mercado de treinamento acabou criando um espaço para as chamadas “ferramentas inovadoras” e hoje há um número crescente de empresas que, por falta de informação adequada, acaba comprando serviços denominados de coaching como um mero sucedâneo dos tradicionais pacotes de treinamento gerencial, em especial os relacionados com o tema liderança.

Trata-se de uma situação preocupante quando consideramos especificamente o caso do Coaching EE, que exige formação específica, visão sistêmica da realidade empresarial, conhecimentos/experiência no mundo corporativo, sensibilidade para questões relacionadas com multiculturalidade, valores, crenças, auto conhecimento, prática profissional embasada em sólidos princípios éticos, equilíbrio interno e consciência das próprias limitações, para citar alguns itens relevantes.

O Coach Executivo e Empresarial é um profissional que trabalha num contexto complexo, dinâmico e imprevisível que é o sistema social organizacional e, para tanto, necessita desenvolver o que os estudiosos do assunto denominaram de “competências essenciais”.

Várias entidades e seus respectivos membros, reconhecidos por sua retidão, tem discutido exaustivamente esta questão. Dentre elas destacamos o minucioso trabalho de Ennis et al. (2005) do Executive Coaching Fórum que adotaram a seguinte definição original de Boyatzys (1982): “competência é uma característica inerente a um indivíduo, causalmente relacionada a um desempenho efetivo e elevado no trabalho”.

Esta definição foi posteriormente detalhada por Spencer et al.(1994, pg.6) como constituindo “motivos, traços, auto-conceitos, atitudes ou valores, conhecimento de conteúdo ou habilidades cognitivas ou comportamentais” Ennis et al. estabeleceram quatro áreas de competências básicas, partindo da premissa que é pouco provável que todos os coaches apresentem um alto grau de efetividade em cada uma das competências específicas a cada uma das áreas.

Lembram ainda que “certos processos de coaching apoiar-se-ão em uma ou mais competências ou mais em certos conjuntos de habilidades do que em outros. Entretanto, significativa competência em cada uma das áreas será certamente essencial” (p.3).

As quatro áreas propostas são:

  1. Conhecimento Psicológico – entendido como o conhecimento de teorias e conceitos psicológicos relevantes para a prática do Coaching EE;
  2. Perspicácia Negocial – que facilita a compreensão, por parte do Coach, das práticas, objetivos, expectativas e do contexto no qual o Coachee atua;
  3. Conhecimento Organizacional – compreensão das estruturas, sistemas, processos e como considerar todos estes elementos da organização na qual o Coachee atua;
  4. Conhecimento de Coaching – conhecimentos específicos da teoria, pesquisa e prática da área de Coaching Executivo e Empresarial.

Como podemos verificar, a consciência da complexidade do tema tem merecido a atenção de inúmeros estudiosos, reiterando a afirmação que o Coaching EE constitui uma área de atividade específica, diversa dos outros e inúmeros tipos de Coaching que são praticados na atualidade.

Como ressalta Olson (2008, pg.151) a respeito desta questão, convém ter sempre em mente que:

  1. Um Coach Executivo e Empresarial não é qualquer Coach que trabalha com um executivo (partindo-se do princípio que, por exemplo, coaching de vida para alguém que é executivo não deveria ser considerado Coaching EE);
  2. Coaches Executivos e Empresariais bem sucedidos provavelmente atuam – na verdade deveriam atuar – a partir de uma perspectiva mais ampla do que outros tipos de coaches.

Estamos, pois, diante de uma questão que merece considerável e cuidadosa atenção, pois tem causado confusões e mal entendidos não só entre leigos mas também, o que é especialmente preocupante, entre profissionais que ocupam cargos elevados de gestão em grandes empresas nacionais e multinacionais.

Nota: este artigo foi publicado no Boletim da ABRACEM em Março de 2010.

Publicado em 27/07/2015

 

Rosa R. Krausz é Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais, Mestre em Ciências Sociais e Doutor e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo onde lecionou na Faculdade de Saúde Pública, Faculdade de Filosofia e Letras e Faculdade de Enfermagem.Desde 1976 trocou a vida acadêmica pelo trabalho de Treinamento e Consultoria em RH.É Analista Transacional Didata pela International Transactional Analysis Association (ITAA) e pela União Nacional de Analistas Transacionais – BRASIL (UNAT-BRASIL) e Full Member da Worldwide Association of Business Coaches (WABC), tendo participado do Painel Especializado de Certificação Internacional.

Autora de vários livros de sua especialidade, publicou também inúmeros artigos nos Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Holanda, participou de Congressos nacionais e internacionais como conferencista convidada.

Tem longa experiência em coaching de executivos, mesmo antes desta designição ser utilizada.

Forma e supervisiona coaches executivos e empresariais, fundadora e primeira presidente da ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial.

 

Referências Bibliográficas

Bennis, W. e Nanus, B. (1985). Leaders- The strategies for taking charge. N. York: Harper & Row.

Boyatzys, R,. (1982). The Competent Manager. N. York: Wiley-Interscience

Ennis, S. et al. (2005). Core Competencies of the Executive Coach. The Executive Coaching Forum.www.theexecutivecoachingforum.com