Apropriação do conhecimento no processo de Coaching Executivo e Empresarial
Apropriação do conhecimento no processo de Coaching Executivo e Empresarial
23/08/2018
Boletim Informativo – Ano 12, Setembro de 2018 – Número 03
05/09/2018
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O Coaching Executivo e Empresarial

O Coaching Executivo e Empresarial

Por Ana Paula Peron

Em 2004, a Executive Development Associates (EDA) conduziu sua pesquisa bianual sobre tendências em Desenvolvimento Executivo. Mais de 100 empresas do Fortune 1000 e Global 500 participaram. Os resultados identificaram que o Coaching é o quinto método de aprendizagem mais prevalente. 56% das organizações declararam usar Coaches externos. (Fonte: Coaching executivo para resultados: Underhill, MasAnnaly e Kopriat – 2010).

O Coaching oferece uma alternativa de desenvolvimento individualizada, focada, sem afastar os líderes de seu trabalho.

O Coaching parece que realmente está se tornando uma das principais escolhas das organizações, no que tange o desenvolvimento profissional. O número de publicações aumentou substancialmente nos últimos anos, assim como o número de ofertas de serviços na internet, de sites especializados ou de cursos de formação com certificações das mais variadas. O Coaching que começa como uma possibilidade de evolução de carreira e ultrapassa seus limites, avança como uma possibilidade de evolução e desenvolvimento pessoal também.

A aprendizagem, hoje, é o pulsar, o coração das mais variadas áreas da atuação humana. O mundo muda a uma velocidade jamais vista e mudará, seguramente, ainda mais rápido nos anos futuros. Estima-se que, de todo o nosso conhecimento de hoje, aproximadamente, 80% será renovado e não servirá mais para solucionar os desafios vindouros. Então a capacidade de aprender novos caminhos, novas possibilidades é um valor inestimável, e o será ainda mais nos próximos anos.

Tantas mudanças ressaltam a importância de desenvolver a cultura da aprendizagem, analisada em “A quinta disciplina”, por Peter Senge: Inovação e aprendizagem: domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizagem em grupo e pensamento sistêmico, como requisitos fundamentais para a dinâmica das organizações. O processo de aprendizagem é a base para todos os níveis organizacionais. E, sem dúvida, é a base para todos os níveis na vida pessoal também.

Nesta perspectiva, o processo de aprendizagem tem início na aprendizagem individual, seguida pela aprendizagem coletiva e organizacional. Na instância do indivíduo, o processo de aprendizagem se reflete em ideias inovadoras, capacidade de reinventar o próprio conhecimento, ser resiliente, aprender com os resultados satisfatórios ou não, etc.

Como uma modalidade de processo de aprendizagem, apresentamos o Coaching e suas possibilidades, como uma ferramenta potentíssima de desenvolver esta aprendizagem acerca do próprio indivíduo e do universo que o envolve.

Encontramos, em revisões bibliográficas, algumas alternativas para a compreensão da palavra Coach que, segundo alguns autores, etimologicamente vem de coach, termo em inglês, para carruagem, e há uma versão de que o termo denominaria o condutor das carruagens. Outra versão é que se origina em uma palavra húngara, que significava: carruagem coberta, chamada koczi, idealizada para proteger seus habitantes das intempéries regionais ao serem transportados de um lugar para outro. Em algum lugar da história, a palavra coach compartilha um ancestral comum com o verbo coax, que significa persuadir ou induzir.

Mais tarde, também na Inglaterra, nas universidades, o tutor de uma pessoa, também era chamado de Coach. O tutor era a pessoa que ajudava a outra a se preparar para os exames.

Coach, literalmente, “técnico” em inglês, é o profissional especializado no processo de desenvolvimento de atletas, levando-os a definir ações em direção a seus objetivos, metas e desejos. Um de seus ilustres representante é Timoty Galleway, que com seu livro O jogo Interior do Tênis, que revolucionou a relação entre atletas e seus coaches.

Uma metáfora: Imagine uma carruagem, com seu cocheiro e dois cavalos:

Carruagem = Coaching / Cocheiro = coachee ou cliente / Cavalos = possibilidades de escolha / Coach = companheiro de viagem.

Assim, é o Coaching, ele tem a missão de transportar o coachee para seus objetivos. O coaching não é o cocheiro! Ele é a carruagem. Porque o cocheiro é o próprio cliente, que deve SER O Senhor do processo, quem tem as rédeas nas mãos. O Coaching também não é “os cavalos que puxam a carruagem”. Os cavalos são as possibilidades de escolha. É o cliente é quem deve escolher (tomar as rédeas) e se responsabilizar por suas escolhas a partir do apoio do coach. E o coach? Ele é quem vai ao lado do coacheiro, como um companheiro de viagem.

O Coach é o facilitador do processo do Coaching. Ele não dá respostas. Ele apoia, provoca, confronta, questiona, aprofunda, vai junto… e sai de cena.

O Coach é alguém que nos estimula a fazer o que não queremos para que possamos nos tornar aquilo que queremos ser” (Michael Jordan)

 

Como intervenção em gestão de pessoas, acreditam alguns, que o coaching de executivos atualmente está se reposicionando de um processo de aumento de performance, para aumento de desempenho de vários níveis de lideranças e agora, como estratégia organizacional.

O Coaching é um processo simples, no sentido que, não requer grandes variáveis processuais e, ao mesmo tempo complexo, porque envolve toda a complexidade do ser humano.

Age sobre o indivíduo ampliando a consciência, potencializando ações, aumentando a consciência, a responsabilidade e o comprometimento a partir de novas possibilidades de respostas, de novos olhares, da construção de um novo observador, contribuindo para os resultados que impulsionam a mudança pessoal e organizacional: benefício pessoal, ação coletiva, reforçada por resultados concretos.

Busca essencialmente a mudança focada na Autonomia para escolhas, ações e resultados. Enfatiza o empoderamento, convidando o coachee a romper com padrões de pensamento e comportamento. Parte da premissa que mudanças profundas e duradouras somente ocorrem quando o processo de aprendizagem caminha paralelamente ao processo de trabalho, ou seja, atualizar o conhecimento e transformá-lo em ação.

Desafiando e levando a consciência a patamares superiores, que vão além do círculo vicioso do “apagar de incêndios”, do exercício cotidiano e compulsivo das ações urgentes e importantes (como cita Stephen Coven, em os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes) para que as pessoas possam, de forma eficaz,  concentrar mais esforços nas ações importantes, do pensar, refletir, inovar, planejar, e que assumam sua responsabilidade de atuação, estabelecendo entre si e com a organização a relação de confiança necessária para que os resultados sejam alcançados.

Segundo a coach/autora, Rosa Krausz, o Coaching Executivo e Empresarial consiste em um “relacionamento profissional entre um coach profissional especializado e seu cliente (coachee)”. Aborda fundamentalmente questões relacionadas com a otimização do uso do potencial do coachee, seu desempenho e contribuição para o desenvolvimento da organização. Tanto o indivíduo quanto a organização auferem benefícios do coaching. É uma experiência de aprendizagem e transformação baseada no despertar de consciência, dos seus recursos e possibilidades de resposta. É um processo para a conquista de alta performance.

Levantamentos existentes indicam que as razões mais comuns para a contratação de um coach são: fonte: ABRACEM (Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial – www.abracem.org)

  • Expandir conhecimentos, habilidades e competências
  • Expandir o autoconhecimento
  • Buscar recursos/alternativas para solucionar problemas com a equipe
  • Ter alguém com quem discutir suas dificuldades e/ou dúvidas
  • Melhorar o uso do seu tempo
  • Desmotivação, estresse, ansiedade aumentada
  • Insatisfação com os colaboradores
  • Dificuldades de relacionamento com pares e/ou chefias e/ou subordinados
  • Dificuldades com clientes/fornecedores
  • Falta de integração da equipe
  • Dificuldade na tomada de decisões
  • Preparar-se para novos desafios profissionais
  • Melhorar o desempenho da organização.
  • Administrar conflitos.

Segundo relatos e pesquisas os benefícios organizacionais do Coaching estão ligados à:

  • Aumento da performance, uma vez que acessa a consciência, a responsabilidade e a autoconfiança dos colaboradores;
  • O exercício do Protagonismo, uma vez que integra o coachee nos processos de decisão, propiciando atuar como corresponsável e não mais como um mero executor ou uma vítima dos processos organizacionais;
  • Promoção da educação continuada na direção de uma autonomia crescente, uma vez que aposta e incentiva a solução de problemas pelo próprio coachee, diminuindo substancialmente a relação de dependência da figura do seu líder;
  • Realização de uma transição mais segura para práticas gerenciais modernas, uma vez que traz para o líder a responsabilidade por liderar de forma a desenvolver seus liderados;
  • Diminuição sensível da oposição entre líderes e liderados, uma vez que preza, estimula e aposta na aprendizagem, de forma a tornar as pessoas mais integradas aos processos de decisão;
  • Aumento do nível de comprometimento, uma vez que traz mais transparência, confiança e congruência para as relações.

A evolução do Coaching Executivo aponta para que ele se torne cada vez mais um instrumento de desenvolvimento profissional do que um processo corretivo de desempenho de um profissional. De fato, é um processo para construir o futuro e não para consertar o passado.

Publicado em 02/09/2018

 

Ana Paula Peron é Coach e consultora, diretora da Presence Desenvolvimento de Talentos e se dedica a estudar e divulgar os estudos de Coaching através da ABRACEM e da ICF São Paulo.

[email protected]
[email protected]
(11) 98158-9068

Referências Bibliográficas para “O Coaching Executivo e Empresarial”

ABRACEM – www.abracem.org.br

UNDERHILL, Brian O.; MCANALLY, Kimcee; KORIATH, John J. Coaching Executivo para resultados.

KRAUSZ, Rosa. Coaching Executivo.

O’NEIL, Mary Beth. Treinando Executivos.