Coaching Executivo: Isto Funciona?
20/09/2013
Boletim Informativo – Ano 07, Setembro de 2013 – Número 03
22/10/2013
Exibir tudo

Maieuticando: A garota que eu costumava ser

A garota que eu costumava ser*

Por Cleila Elvira Lyra

Shirley Valentine** é uma perfeita e tradicional esposa e dona de casa de classe média. Todos os dias arruma a casa, prepara o jantar do marido… está na faixa de 40 e tem dois filhos que não moram mais em casa. Porém ela está vivendo um momento difícil e acha que sua existência rotineira acabou com seus sonhos de juventude.

No filme ela conversa com a parede… fala da sua vida atual e de como é submissa ao marido e filhos. Nesse diálogo vai relembrando da garota que ela costumava ser. Lembra também que no início do casamento eles se amavam, expressavam esse amor, brincavam, se divertiam. Ela vai falando e o filme vai recuperando cenas da sua adolescência, onde na escola ela, que não era a mais inteligente, fazia essas coisas rebeldes que todo adolescente faz quando precisa chamar atenção e não encontra um meio mais natural.

Porém ao longo do casamento, essa garota, que ainda tinha sonhos e energia para reivindicar atenção, acabou aos poucos desaparecendo.

Ela pergunta para a parede: O que aconteceu com Shirley Valentine?

Shirley vai falando e enquanto prepara o jantar toma vinho. Um dia olhando para o copo afirma: tenho um sonho, tomar vinho, sentada de frente para o mar, em um país que cultiva uvas e produz vinhos…

Dizem que devemos cuidar com o que desejamos… e vejam que uma amiga a convida para uma viagem de 2 semanas para Grécia, totalmente paga.

Shirley se recusa, pois acredita que o mundo vai desabar se ela não estiver em casa preparando tudo para o marido, na hora certa. Mas aos poucos vai gostando da ideia e acaba aceitando. Ela tenta falar para o marido, mas ele não consegue sintonizar com o que está acontecendo… e depois de várias cenas engraçadas ela finalmente lhe deixa um bilhete no armário, comida no freezer e se manda com a amiga.

Na Grécia ela vai aos poucos tendo mais coragem de dizer o que pensa e se revela bastante capaz de agir independentemente. Por exemplo, realizou seu sonho de tomar vinho sentada a uma mesa, que solicitou ao dono do restaurante, fosse colocada de frente para o mar. Esse grego, querendo entender o estranho pedido se aproximou e se inicia uma amizade. Essa amizade se torna mais intensa e ela crê que se apaixonou por ele.

No dia de voltar para casa, no aeroporto ela decide deixar a amiga e ficar na Grécia, voltando para a ilha. Oferece-se para trabalhar no restaurante do amigo e assim acontece.

Mas certo dia presencia o amigo cortejando outra turista. Porém imediatamente ela sorri para si mesma, para ele e afirma olhando para a câmera: não voltei por haver me apaixonado por ele eu voltei por haver me apaixonado por mim mesma.

E continua:

Não fazemos as coisas que queremos, fazemos o que devemos fazer e fingimos que isso é o que queremos…

Agora eu quero ficar aqui e ser SHIRLEY VALENTINE… O único romance que tive nessa história foi comigo mesma e voltei a gostar realmente de mim…

Em um diálogo com o marido por telefone. Ele: você não pode ficar fugindo a vida inteira (como se ela estivesse fugindo da vida…).

Ela: exato, agora que estou vivendo, não quero mais fugir.

Vou deixar o final do filme para assistirem…

A partir desse exemplo creio que poucas palavras precisam ser ainda ditas, basta exercitar a imaginação e trocar o lugar do esposo para o superior e da família/casa/rotina para o trabalho…

No meu escritório chegam muitas “Shirleys” (de ambos os sexos) … razão pela qual creio que nosso papel essencial como Coaches é facilitar o protagonismo. Na pratica significa desligar o piloto automático, parar de correr…

Muitos de nós corremos, nos agitamos para que não sobre tempo… pois se sobrar talvez a gente acabe pensando na nossa vida e isso pode ser arriscado…

Podemos descobrir que queremos ser novamente aquela/aquele que fomos um dia.

Ampliar nosso nível de consciência é um caminho seguro para esse fim.

Como? Vivendo na vida, cada momento como se fossem 2 semanas de férias.

Por exemplo: se você fosse caminhar em um parque bonito sabendo que talvez nunca mais voltasse a vê-lo, você caminharia com seu IPod ouvindo música? Ou você preferia olhar o lugar… sentir a brisa, observar as pessoas, árvores, animais, tomar um caldo de cana… será que não faria essa caminhada com toda calma e atenção?

Outro exemplo: Como faria seu último projeto antes daquela promoção?

Isso vale para tudo o que fazemos… Sempre podemos prestar mais atenção… isso nos reconecta com nossa alma, com a alma do mundo… a alma da vida…

Podemos treinar isso, também, de maneiras mais “técnicas”, por exemplo, pelas artes marciais, dança, yoga, natação… Oferecendo esse tempo a nós mesmos! E, não fazendo nada por obrigação ou mecanicamente. Por exemplo, natação para manter o corpo saudável. Isso é excelente, mas porque não aproveitar para também manter a alma saudável? Através da conexão com sua respiração?

Se persistir vai “cair a ficha”, você vai começar a se notar, vai perceber quem é você, vai se conhecer através de seus limites e facilidades, em cada âmbito e transferir para os outros. Espontaneamente vai entender/discriminar o que gosta e o que faz por obrigação e assim mais…

Vai crescer a força interior e a autoestima…

Vai se interessar pelos outros e pelo efeito que você e seu jeito causam neles…

Vai perceber que tem possibilidade de mudar… basta desejar

E para que? E o que isso tem a ver com coaching?

Tudo… pois coaching é destravar o potencial é se reinventar… como fazer isso sem se perceber como pessoa? No coaching o foco é passar a ser não apenas o ATOR na sua história, mas como a Shirley, ser o AUTOR dela.

E como a SHIRLEY, vai entender que você é interessante, que sua vida pode ser gostosa… vai se apaixonar por você mesmo…

A garota que eu costumava ser (letra da música do Filme Shirley Valentine)
A ave nasceu para voar, nasceu para o momento de alcançar o céu

E todos seus sonhos vão navegando nas suas asas
Mas se ela cair, os sonhos não se quebram
Enquanto os ventos são justos, o céu estará sempre lá (esperando)
A garota que eu costumava ser podia voar, ela era livre.
Você podia ler na luz do seu sorriso
Sim, a garota que eu costumava ser costumava dançar…
Mas ela se foi … há um longo tempo…
Ela saiu sem nenhum barulho, ninguém notou que ela não estava mais
E somente a lua lembra dela
Os dias se vão, e você começa a se fazer perguntas
E imaginando por quê? Porque os sonhos todos se foram?
Eu acho que é hora de saber…
A garota que eu costumava ser ela podia voar, ela era livre.
E ela escreveu todas as palavras da sua musica
Sim, a garota que eu costumava ser costumava dançar
E eu sinto que ela se foi há tempo demais
Eu gostaria de uma chance de ser a garota que eu costumava ser.

Publicado em 20/10/2013

Referências

** Shirley Valentine – Filme Comedia, coprodução: Inglaterra / EUA. 1989. Direção: Lewis Gilbert , atores: Pauline Collins como. Shirley Valentine – indicada ao Oscar de melhor atriz, Tom Conti… Bernard Hill

* Titulo da música do filme Shirley Valentine composta por Alan Bergman, Marilyn Bergman, Marvin Hamlisch.