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Estratégias individuais de desenvolvimento

Por Fabio Michelete

Estratégias individuais de desenvolvimento são as únicas, que por suas características, conseguem fazer frente às exigências do mundo corporativo. K. Ericsson (Florida University) tem estudado a excelência em diferentes áreas, e sintetizou o que já se sabe sobre a aquisição de capacidades. A resposta, colhida na análise de diferentes pessoas, excelentes em diferentes capacidades, corrobora as premissas do Coaching Executivo, e explicam porque este é tão efetivo para facilitar o desempenho profissional e aquisição de competências duráveis.

É desnecessário apresentar os vários motivos que fazem a agenda dos profissionais de hoje tão corrida e desafiadora. Está raro encontrar alguém que viva o equilíbrio com seu trabalho, sem deixar que aspectos pessoais sejam prejudicados. A constante torrente de exigências e desafios faz com que os profissionais se sintam pressionados a se ajustar às necessidades do mercado.

Se olharmos para o futuro, não há promessa de alívio. A tecnologia, que prometia simplificar nossa vida, passou a exigir mais adaptação, aprendizagem e produtividade. A falência dos governos nacionais para lidar com problemas globais desenha dificuldades e impactos sobre a atividade econômica. Resta aceitar o desafio deste ambiente, de aquisição de competências, de sinergia, livre trânsito entre diferentes culturas, superação, adaptação e busca por resultados práticos de maneira cada vez mais eficiente.

Como o Coaching pode facilitar o desempenho e permitir a aquisição de competências que faça frente às exigências atuais? Abaixo, segue um comparativo entre as sínteses de Erickson e a proposta do Coaching executivo:

Erickson não identificou nenhuma condição específica (mesmo em estudos de ressonância magnética do cérebro ou estudos de DNA) que correlacione um traço genético ou característica individual comum a pessoas excelentes numa área de atividade, salvo em atividades físicas. Se não há diferenças genéticas, em tese qualquer um poderia ser excelente numa determinada atividade. O que faz um indivíduo se sair melhor do que outro? O esforço intensivo de experimentação. Em outras palavras: “a prática faz a perfeição”.

O Coaching preconiza o empoderamento do Coachee, e um ambiente tolerante em que alternativas de ação são pesadas em sua viabilidade, e a experimentação é fomentada como forma de aprendizagem e superação.

Estima-se que qualquer indivíduo é capaz de dominar um assunto com 10.000 horas de dedicação prática e desafiadora. Isto não quer dizer que não se continue melhorando após estas primeiras 10.000 horas, mas tarefas muito complexas podem ser adquiridas neste tempo. Obviamente, não é qualquer prática que permite o desenvolvimento. Deve-se colocar em uso as aquisições teóricas recentes, e o profissional deve migrar sempre e regularmente para tarefas mais complexas.

O Coachee sente-se compelido a avançar e desenvolve maior confiança em sua capacidade, estimulado a agir em prol de seus objetivos, com objetividade, realismo, e preparação prévia.

O acesso a alguém que já aprendeu determinada capacidade pode ser útil para superar dificuldades que esteja encontrando. Por outro lado, o nível máximo de proficiência do mentor pode ser um “limite” que se apresenta também ao profissional em desenvolvimento.

O Coaching visa autonomia, e parte importante disto é a confiança construída no Coachee após sucessos iniciais. É um processo que não pressupõe a transmissão de conhecimento, permitindo uma estratégia de desenvolvimento que não se limita às dificuldades de um mentor experiente. Não há limites para o potencial a ser liberado.

O ritmo de progresso é individual. Se possível, o profissional deve ser capaz de voltar e refazer seus trabalhos identificando falhas. O trabalho de Salman Khan (assista o video de Salman Khan no TED) mostra o potencial desta ideia na educação. Profissionais confrontados com tarefas repetitivas não são estimulados – e perdem o interesse. Por outro lado, tarefas muito além das capacidades de um indivíduo aumentam drasticamente seu volume de falhas. Nós paramos de fazer o que não fazemos bem e não nos faz sentir recompensados.

Num ambiente acolhedor criado pelo processo particularizado do Coaching, os desafios são enfrentados no passo específico do Coachee. O ambiente é de empoderamento, confiança e feedback sincero e poderoso. Há um convite a fazer surgir propostas e potenciais, que por diferentes razões, não são as escolhas mais acessíveis do Coachee, mas estão em seu repertório de possibilidades.

Por este comparativo, percebe-se claramente porque o Coaching Executivo permite resultados tão positivos. Nossa experiência com este processo reafirma a cada dia o que Darwin percebeu acerca da evolução das espécies: não é o mais forte, ou o mais inteligente, ou o mais agressivo que sobrevive em contextos competitivos. O futuro pertence aos mais adaptáveis.

Seguramente, estratégias de desenvolvimento individuais acompanharão os indivíduos desde cada vez mais cedo. Novas formas de organizar o trabalho e utilizar a tecnologia nos colocam desafios inimagináveis. Para enfrentar este contexto, mais competências se tornarão importantes e valorizadas, para uma composição mais diversa que reflete mais claramente a diversidade no potencial humano.

Publicado em 09/06/2013

Fabio Michelete é Psicólogo (PUC-SP), Mestre em Psic. Social e do Trabalho (USP), Especialista em Psic. Organizacional e do Trabalho (CFP). É Full Member da WABC – Worldwide Association of Business Coaches, formado pela ABRACEM (Assoc. Bras. de Coaching Executivo e Empresarial).

Autor do romance “Aprendi a me Amar”, é proprietário da Liquid Desenvolvimento e docente nos MBAs em gestão de Pessoas (FGV-Management), em Gestão Empresarial (FUNDACE-USP e IBG-MT).

Referências Bibliográficas

ERICSSON, Anders K.; PRIETULA, Michael J.; COKELY, Edward T. (2007). “The Making of an Expert”. Harvard Business Review (Jul–Ago).

ERICSSON, Anders K.; RORING, Roy W.; NANDAGOPAL, Kiruthiga. (2007). “Giftedness and evidence for reproducibly superior performance”. High Ability Studies.