Boletim Informativo – Ano 13, Março de 2019 – Número 01
22/03/2019
Exibir tudo

Criminalização do Coach

16 de Maio de 2019

Nos últimos dias fomos surpreendidos por artigos e manifestações nas mais diversas mídias focados na Criminalização do Coach. Em função dessas manifestações, a Abracem tomou as seguintes medidas:

1 - encaminhou aos seus associados e aos profissionais que nos acompanham, um artigo marcando adequadamente a posição da Abracem.

2 – encaminhou a diversas mídias essa mesma manifestação, de forma a tornar mais visível a nossa opinião sobre assunto.

Leia em seguida a nossa manifestação.


Criminalização do Coach

Sob este título foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado uma sugestão que poderá resultar num projeto de lei para regulamentar a atividade de Coaching.

Trata-se de uma iniciativa cujo objetivo é ordenar e reconhecer uma prática cujo crescimento rápido e desordenado gerou a instalação de um campo de atividade aberto a qualquer pessoa que se auto entitule coach, apresentando, ou não, um conjunto de competências que seriam necessárias para atuar como tal. Esta situação, tem causado não só uma certa banalização, mas também alguns abusos que prejudicam a imagem daqueles coaches que atuam de forma ética, responsável e competente de acordo com o princípio do NO HARM (não prejudicar o seu coachee), fundamental em qualquer processo de Coaching.

Coaching é, curiosamente, uma atividade não regulamentada a nível mundial. Trata-se, porém, de uma intervenção potente de auto-aprendizagem e desenvolvimento, quando adequadamente realizada por alguém com formação especializada.

Esta envolve, além de uma sólida base teórica e ética, também uma prática cuidadosamente construída e supervisionada, que garanta a utilização apropriada do Coaching, processo este que se distingue de outras intervenções tais como Terapia, Mentoria, Aconselhamento, Consultoria e Treinamento.

O Coaching nasceu nos Estados Unidos, a partir do treinamento esportivo e sua passagem para o campo do desenvolvimento do potencial humano deu-se nas últimas décadas do século passado. Dentre os que contribuíram para isso no campo da aplicação citamos Galwey,T. (1975) e T. Leonard (1980), e do ponto de vista teórico, ético e filosófico, destacamos Hargrove, R., Withmore,J. e Hudson,F.M. todos eles voltados para o que hoje denominamos de Coaching Executivo e Empresarial.

Na atualidade esta área é a única que, em virtude de seu aprofundamento, possui reconhecimento acadêmico, publicações especializadas, pesquisas sistematizadas e, em alguns países, cursos de pós graduação. Seu foco é o desenvolvimento das pessoas, equipes e organizações que enfrentam hoje o desafio de conviver num ambiente corporativo turbulento e em constante transformação.

Entretanto o que mais se pratica é o chamado genericamente de “coaching de vida” , em geral abordado em treinamentos breves, abertos ao grande público, sem pré-requisitos para ingresso, alguns com número elevado de participantes, oferecidos por entidades/pessoas voltadas para a venda de cursos. Tal situação tem gerado uma oferta abundante de coaches e o aparecimento de uma torrente de especialidades.

Felizmente, podemos contar como algumas entidades ciosas da Formação que oferecem. Uma delas é a ABRACEM -Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial, entidade sem fins lucrativos, fundada em 2005, que tem como missão, formar exclusivamente Coaches Executivos e Empresariais. Para tanto desenvolveu metodologia própria que abrange não só o processo de Coaching indivídual, mas também de equipes e da construção de uma cultura de Coaching nas organizações.

Coaching Executivo e Empresarial é uma atividade que exige uma abordagem sistêmica. É um processo complexo, delicado que além de uma formação técnica aprimorada, exige auto-conhecimento, equilíbrio interno, vocação, competência interpessoal, ética pessoal e profissional do Coach.

Entendemos que a Regulamentação é necessária e poderá beneficiar todos, Coaches, Coachees, equipes e organizações genuinamente interessados em contribuir para que o Coaching seja utilizado como um instrumento potente de aprendizagem e desenvolvimento e crescimento contínuo dos seres humanos.

Para tanto será mandatório que foque suas especificidades, abstenha-se de invadir as fronteiras de atuação de profissões já regulamentadas e busque desenvolver alternativas para garantir não só sua legalidade, mas também a qualidade do trabalho e o respeito e a confiança das pessoas e das organizações.

A ABRACEM conta com o apoio e a colaboração de todos que conhecem os nossos princípios, nossa trajetória e o nosso trabalho.

Conta além disso com as dezenas de colegas que tem participado da nossa formação e da vida associativa da ABRACEM para, em conjunto, contribuirmos para uma regulamentação que resgate e eleve a credibilidade do Coaching Executivo e Empresarial , bem como dos seus benefícios.

Agradecemos sua atenção e enviamos nossas cordiais saudações
.
São Paulo, 16 de maio de 2019.

Antonio T.T. Tupy – Presidente da ABRACEM

Rosa R. Krausz – Diretora Científica e de Formação e Fundadora da ABRACEM

Esta notícia foi escrita por:
Editorial, equipe da ABRACEM em 16/05/2019