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Coaching Executivo: a relevância do contrato

Coaching Executivo: a relevância do contrato

Por Yara Leal

Ao se iniciar um processo de Coaching Executivo muitas variáveis entram em cena: as expectativas dos envolvidos, o contexto dos negócios, a cultura da organização, os conceitos pré-existentes sobre o que é Coaching e muitos outros. Para que haja um alinhamento sobre o processo de Coaching, todos os Stakeholders precisam ser envolvidos e tomar consciência sobre o seu papel durante o processo e os objetivos do mesmo.

Um dos princípios básicos do Coaching Executivo é que ele se caracteriza como uma relação profissional contratual, segundo Rosa Krausz – no livro “Coaching Executivo”, de sua autoria. O termo “contrato” é usado aqui como similar a acordo ou termo de compromisso e não como um documento legal. É por meio desse mecanismo que expectativas realistas são explicitadas, papeis são definidos e objetivos são acordados.

Ao atendermos uma solicitação de Coaching Executivo, podemos nos deparar com empresas que estejam em diferentes estágios de conhecimento sobre o que é um processo de Coaching Executivo. É por meio do contrato que conseguiremos aumentar a uniformidade com relação ao entendimento sobre o processo de Coaching e sobre como ele irá se desenrolar.

Fanita English (1975) desenvolveu o contrato de três pontas que atende bem às necessidades envolvidas no Coaching Executivo. Veja abaixo:

Relação Contratual Coach e CoacheeTer esses três contratos bem firmados, negociados e coerentes entre si, vai contribuir para que os resultados para o coachee e para a organização sejam atingidos.

Alguns pontos devem ser observados no estabelecimento desses contratos:

  • Expectativas de todos os envolvidos;
  • Alinhamento dos objetivos;
  • Aspectos de confidencialidade;
  • Definição de papeis e responsabilidades;
  • Delimitação das fronteiras do processo de coaching.

Além disso, considero interessante a contribuição de Eric Berne (1966), que distingue três aspectos do contrato que podemos levar em consideração:

  • Contrato Administrativo: Honorários, frequência, duração, periodicidade, condições de pagamento, faltas e interrupções, etc.
  • Contrato Profissional: limites da relação, estabelecimento de objetivos e resultados esperados e expectativas dos envolvidos.
  • Contrato Psicológico: aspectos implícitos e que se forem deixados de lado podem comprometer o processo. Esses aspectos se infiltram de forma imperceptível e, portanto, devem merecer atenção redobrada do Coach. Ex. tendência do Coach de assumir o papel de salvador; tendência do Coachee de se colocar como submisso. Preservar uma relação de iguais faz parte desse aspecto do contrato.

A falta de um contrato bem firmado pode ocasionar fatores de descarrilamento de um relacionamento de Coaching, alguns citados por David Noer no Livro Coaching – “O exercício da Liderança”:

  • Confusão, conluio ou falta de clareza quanto a quem é o cliente;
  • Criação de relações de dependência;

Outros que eu identifico são:

  • Quebra do sigilo nas informações do processo;
  • Condução do processo num sentido que não atenda aos interesses de todos os públicos;
  • Coach ser surpreendido por uma agenda oculta.

Por meio do processo de contratação espera-se que o Coach consiga avaliar o quanto o Coachee está pronto para o processo de Coaching Executivo, além de engajar todos os envolvidos no estabelecimento de objetivos, acompanhamento e apoio ao processo.

Essa fase do processo exige do Coach preparo e experiência, pois muitas vezes envolve ouvir o que não foi dito e ver o que não foi mostrado ou seja, intuição e percepção aguçadas contribuem para captar eventuais sinais que possam colocar o processo de Coaching em risco.

Abraços e bons contratos!

Referências Bibliográficas sobre Coaching Executivo: A Relevância do Contrato

Krausz, R. R. (2007). Coaching Executivo

Goldsmith, M e outros. (2003). Coaching – O exercício da Liderança

 

Publicado em 10/09/2018

 

Yara Leal é Coach Executiva e Empresarial certificada pela ABRACEM (Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial)
Psicóloga com MBA Executivo em Negócios
Consultora e Sócia da Questão de Coaching
Coautora do Blog Questão de Coaching