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Coaching Executivo: Isto Funciona?

Por Rosa R. Krausz

Uma pesquisa publicada no Consulting Psychology Journal (1) apresenta resultados de um projeto de desenvolvimento de Executivos realizado por uma indústria farmacêutica global utilizando Coaching Executivo.

Deste projeto participaram 114 executivos, tendo feito, cada um deles, 12 sessões de coaching.

Os benefícios, tais como avaliados pelos próprios participantes, foram os seguintes:

1. Eficácia na gestão de pessoas

# Ampliação do autoconhecimento / compreensão das próprias forças;

# Melhoria nos resultados na gestão dos imediatos;

# Melhoria de resultados na gestão dos clientes internos.

2. Relacionamento com Gerentes

# Melhoria da comunicação e do feedback.

3. Estabelecimento de objetivos e prioridades

# Aumento da capacidade de definir metas de desempenho;

# Aumento da capacidade de estabelecer objetivos com os imediatos.

4. Envolvimento e produtividade

# Mais produtivo e adaptável ao ambiente de trabalho;

# Mais satisfeito.

Lloyd Raines (2), em seu artigo sobre Coaching de Liderança Integral, ao analisar dados referentes a 50 executivos clientes seus, escreve: “questões abordadas no processo de Coaching estão relacionadas com o aperfeiçoamento da comunicação e seu impacto na eficácia da liderança. Este aperfeiçoamento abrange habilidades como ouvir, fazer perguntas, dialogar, desenvolver a coesão da equipe, obter resultados, cultivar a inteligência do grupo e não, simplesmente, conduzir reuniões”.

O processo de Coaching Executivo e Empresarial tem a ver com a co-construção de pontes que facilitem a caminhada em busca do desenvolvimento, da reflexão, da aprendizagem constante que constituem o motor da transformação e da autonomia do Coachee.

São estes aspectos que distinguem e caracterizam o Coaching Executivo e Empresarial das incontáveis versões de Coaching em geral, muitas das quais se reduzem a mera utilização de ferramentas que desconsideram a especificidade de cada Coachee e de seu contexto.

O Coaching Executivo e Empresarial acontece em cenários organizacionais complexos e diferenciados, marcados por condições não convencionais tais como instabilidade constante, rotatividade de pessoas, desencontros entre gerações, seus valores, objetivos e modus operandi, ciclos de vida reduzidos dos que ocupam posições de liderança, obsoletismo precoce da força de trabalho.

Coaching Executivo e Empresarial pressupõe uma visão ampliada e sistêmica do indivíduo, considerado como a menor unidade do sistema dinâmico e mutante que é uma organização produtora de bens e serviços.

Ao alterar / minimizar / eliminar a atuação disfuncional das pessoas no ecossistema de trabalho no qual estão inseridas, esta alteração tenderá a repercutir na natureza e qualidade dos relacionamentos entre elas, bem como no microclima do em torno, nos níveis de automotivação das pessoas, impactando direta ou indiretamente na funcionalidade da organização.

Por estas razões não basta a mera aplicação de técnicas e ferramentas, pois o processo de Coaching Executivo e Empresarial, em virtude de sua profundidade lida não com o óbvio, mas sim com o implícito, com valores e conceitos que muitas vezes passam desapercebidos pelo próprio Coachee.

Considerando-se que os processos de Coaching Executivo e Empresarial atendem, em boa parte, demandas dos que ocupam posições na cúpula das organizações, criam-se oportunidades para introduzir elementos da “cultura de coaching” caracterizada por fatores como flexibilidade e sensibilidade, elementos necessários para a sobrevivência das empresas.

Hoje, a função das lideranças empresariais é “saber fazer acontecer”, isto é, vislumbrar alternativas de ação, atuar em situações de ambiguidade e incerteza, integrar as pessoas em equipes produtivas, promover os valores da organização e a identificação com a missão da empresa, manter o corpo de colaboradores preparado para os desafios de um futuro que se inicia a cada novo dia.

Um estudo realizado pela Sherpa Coaching (3) com 700 profissionais americanos e canadenses da área de RH nos traz alguns dados relevantes:

  1. As organizações têm ampliado as oportunidades de participação em processos de Coaching para os níveis gerenciais quando no passado tal disponibilidade era restrita aos executivos principais;
  2. Segundo os entrevistados, a demanda de Coaching encontra-se em ascensão;
  3. O Coaching Executivo tende a ser mais utilizado de forma preventiva (desenvolvimento de lideranças) do que curativa (resolver problemas pontuais do Coachees);
  4. Algumas empresas começam a entender o Coaching Executivo como uma intervenção estratégica que trará resultados curto prazo, mormente se estiver alinhada com outras relacionadas com gestão de pessoas.

Os Coaches Executivos têm um grande desafio e um caminho a percorrer. Ressalto aqui dois pontos:

O primeiro refere-se ao preparo e consequente competência para prestar serviços de elevado nível de qualidade e expertise profissional. Nossa posição neste quesito tem sido fartamente defendida toda a vez que surge uma oportunidade. Lembro que Coaching Executivo é uma atividade profissional com fim acentuado por um componente de vocação.

O segundo refere-se à necessidade de informar o cliente a respeito do que é e para que serve o Coaching Executivo e disponibilizar informações fidedignas para quem busca este tipo de intervenção.

Observa-se uma falta de fontes confiáveis que possam orientar potenciais clientes na busca de serviços de Coaching Executivo. A poluição existente no mercado hoje é, no mínimo, preocupante. Empresas que oferecem treinamentos breves e inespecíficos, que prometem trabalho, que vendem pacotes de sessões e reconhecimento internacional se multiplicam e não favorecem a credibilidade dos processos de Coaching.

Informações adequadas, seleção e formação primorosa dos profissionais, seleção criteriosa dos Coaches Executivos e Empresariais a serem contratados, entre outras medidas, são fatores relevantes para apressar o processo seletivo que naturalmente ocorrerá ao longo do tempo e contribuirá para distinguir o joio do trigo.

Caberá a nós, que buscamos alcançar níveis cada vez mais elevados de excelência profissional, engajarmo-nos nesta missão e assim contribuir para a criação de elevados padrões de credibilidade, confiabilidade e competência dos Coaches Executivos e Empresariais.

Publicado em 20/09/2013

Rosa R. Krausz é Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais, Mestre em Ciências Sociais e Doutor e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo onde lecionou na Faculdade de Saúde Pública, Faculdade de Filosofia e Letras e Faculdade de Enfermagem.Desde 1976 trocou a vida acadêmica pelo trabalho de Treinamento e Consultoria em RH.É Analista Transacional Didata pela International Transactional Analysis Association (ITAA) e pela União Nacional de Analistas Transacionais – BRASIL (UNAT-BRASIL) e Full Member da Worldwide Association of Business Coaches (WABC), tendo participado do Painel Especializado de Certificação Internacional.

Autora de vários livros de sua especialidade, publicou também inúmeros artigos nos Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Holanda, participou de Congressos nacionais e internacionais como conferencista convidada.

Tem longa experiência em coaching de executivos, mesmo antes desta designição ser utilizada.

Forma e supervisiona coaches executivos e empresariais, fundadora e primeira presidente da ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial.

 

Referências Bibliográficas

Referências (1) Kombarakaran, F.F.et. al. (2008). Executive Coaching: It Works! Consulting Psychological Journal 60 (1), 78-90.

(2) Raynes, L. (2007). Integral Leadership Coaching: A partner in sustainability. Integral Leadership Review VII (2)- March.

(3) Sherpa Executive Coaching Survey (2011) www.sherpacoaching.com