RESENHA: “Multidimensional Executive Coaching” de Ruth L. Orenstein
01/06/2009
Maieuticando: Para nos tornarmos Coaches
30/06/2009
Exibir tudo

Boletim Informativo – Ano 03, Junho de 2009 – Número 02

O primeiro semestre de 2009 nos surpreendeu com vários acontecimentos. A tão propalada crise econômica, e respectivas previsões soturnas, mostrou-se bem mais palatável do que se esperava. No entanto, as tensões políticas e sociais [...]

 

SÚMARIO
Mensagem da Presidência | Editorial | Maieuticando | Resenha

 

MENSAGEM DA PRESIDÊNCIA

O primeiro semestre de 2009 nos surpreendeu com vários acontecimentos. A tão propalada crise econômica, e respectivas previsões soturnas, mostrou-se bem mais palatável do que se esperava. No entanto, as tensões políticas e sociais tem causado insegurança, sofrimento e temores em varias partes do mundo, demonstrando o quanto a humanidade precisa caminhar em direção à compreensão, tolerância, respeito e compaixão.

A ABRACEM prossegue em sua trajetória de crescimento, cultivando valores e princípios que norteiam sua ações, ou seja, a ênfase na qualidade, na aprendizagem e na prática da ética profissional, indicadores do respeito que cultivamos em relação aos nossos Coachees e respectivas organizações.

Este ano introduzimos uma mudança que vinha sendo solicitada por muitos membros da nossa ABRACEM: a cobrança da anuidade via Boleto Bancário. Para tanto, enviamos fichas para que pudéssemos dispor dos dados necessários para o envio do citado boleto.

Aos que não retornaram a ficha preenchida, solicitamos que o façam o mais rápido possível, afim de regularizar sua situação, manter-se/ ser inserido na lista atualizada de Coaches Cerificados da ABRACEM classificados por estado e cidade e participar das próximas eleições da próxima Diretoria e Conselho Deliberativo.

Contamos com você, caro colega, e enviamos nosso cordial abraço,
Rosa R. Krausz

Voltar ao topo

 


 

EDITORIAL

Estamos novamente publicando nosso Boletim Informativo, com muita satisfação. Ainda estamos com pouca participação dos associados, mas cientes de que demanda certo tempo para que uma categoria crie corpo, músculos e sinta-se capaz de relacionar-se com outros, demonstrando com isso um claro sentido tanto de existência quanto de pertença, o que revela uma identidade e nesse caso a de Coach Executivo e Empresarial.

Quanto a mim, considero cada dia mais importante estar vinculada a uma entidade onde possa dialogar entre pares acerca das questões às vezes difíceis da nossa atividade profissional.

Estive recentemente entre psicólogos em um evento e pude notar que muitos desconhecem, por não haver onde consultar, as distinções entre, por exemplo, a atividade de Psicoterapia e de Coaching, sobretudo aqueles que têm a formação em Coaching de Vida ou Integral.

Esse espaço virtual, tanto na sua forma Boletim Informativo quanto na de site, que a Abracem mantém, visa abrir esses temas difíceis ou essas áreas ambíguas ao exame e à opinião de um grupo de profissionais que por haverem participado de uma ou mais de uma formação, podem relatar suas experiências, compartilhar suas dúvidas e também suas certezas e concluírem no melhor posicionamento para que todos sejam beneficiados: pacientes ou coachees, psicoterapeutas ou coaches, organização e sociedade.

Desejo que a nossa associação se fortaleça a ponto de poder oferecer aos seus associados oportunidades como podemos ver nos EUA (IAC Voice, vol 4 Issue 36, June 2009). Algumas associações de coaching se reuniram para ofertar uma atividade altamente positiva e saudável com vistas a melhoria da qualidade profissional. A International Association of Coaching – IAC, a Association for Coaching – AC e a International Coach Federation – ICF apóiam um espaço ou uma entidade virtual com o objetivo de realizar a atividade de Contracoaching ou Peer coaching. Trata-se de um banco de horas que os profissionais ofertam em troca de coachings, ou seja, alguém doa horas de seu tempo para alguém e recebe essas horas de atendimento em coaching de outro coach. Inteligente e positiva rede para aprender e ensinar entre semelhantes, oportunizando a melhoria da qualidade profissional, sem custo direto.

Chegaremos a isso aqui no Brasil e na Abracem algum dia? Fica ai o estímulo e a sugestão!

Nesse número temos a Rosa com sua mensagem de presidente nos lembrando da importância de nos mantermos vinculados e apoiando a instituição Abracem. Temos alguns pontos de reflexão sobre a decisão de atuar como coach e a posterior formação, no artigo do Maieutica-ndo Para nos tornarmos coaches. Temos na Resenha, pela Rosa Krauss, nos estimula a lermos a obra Multidimensional Executive Coaching, que evidencia o quesito auto-reflexão, tão essencial na arte de ser coach. Além disso, mais Noticias sobre Coaching no Brasil e no Mundo.

Espero que usufruam as leituras e que possamos estar ainda mais juntos nos próximos números, através de artigos, resenhas e outras participações de todos os leitores e associados da ABRACEM.

Cleila Elvira Lyra

Voltar ao topo

 


 

MAIEUTICANDO

Para nos Tornarmos Coaches

Por Cleila Elvira Lyra

Geralmente somos despertados para a possibilidade de atuarmos como coaches em virtude de havermos observado algum coach, participado de um processo de coaching ou imaginado, após entrarmos em contato através de palestra, site, conversa, filme, que isto que vimos e ouvimos tem a ver conosco, tem a ver com nossas competências e nosso desejo.

Depois da confirmação e da decisão, existem vários caminhos possíveis para que possamos iniciar a carreira, desenvolvendo as competências necessárias para sermos coaches. Dentre esses, os mais comuns são: a) participar de cursos e formações, b) participar de um programa de coaching com essa finalidade, c) estudar através de livros, artigos, sites. Nenhuma dessas formas prescinde da mais importante, que é de alguma maneira, entrar em contato consigo mesmo para descobrir nossas próprias luzes e sombras. Isto inclui descobrir nossas competências e nossas fraquezas, reconhecimento este, essencial para que possamos apoiar um processo, parecido e tão delicado de outra pessoa.

Dentre as condições pessoais do coach para sustentar a aliança, entre ele e seu coachee, que ele mesmo deve estimular, algumas são essenciais.

Em inglês, a forma de expressar a idéia é “walk the talk”, que em português dizemos: seja congruente, faça o que você fala, ou ainda coincida seu discurso com sua prática. Ou seja, se você for daqueles que expressa suas idéias em belos discursos sobre meio ambiente, mas continua se enchendo de sacolas plásticas quando vai ao supermercado, algo está fora de lugar, ou seu discurso ou sua prática. Assim, existem muitas perguntas que devemos nos fazer antes de nos candidatarmos a sermos coaches. Alguns exemplos: a) eu acredito que todos os seres humanos podem se desenvolver? b) Eu acredito que cada pessoa que vem até mim como coachee tem o “mapa” do seu problema em algum lugar “perdido” de si mesmo? c) Eu acredito que eu não posso fazer nada por ele e tampouco ensiná-lo, que tudo dependerá da nossa capacidade de aprender, na nossa parceria? d) Eu acredito que o coachee é livre para fazer suas escolhas e que eu não tenho direito de influenciá-lo para a direção que eu achar a melhor para ele? Essa última questão é bastante fácil de ser confirmada na pratica: quantos de nós permitimos a nossos filhos escolherem as carreiras que eles desejavam, por exemplo, em lugar do executivo o músico? Desse modo, temos que desenvolver primeiro em nós mesmos aquilo que pretendemos sustentar na relação com o outro.

Outro aspecto que eu considero essencial é o que chamo “janela de mundo” e nesse sentido parece que a idade e as vivencias da vida favorecem algumas pessoas. As pessoas com mais tempo de vida tiveram mais oportunidade, que os que têm menos tempo de vida, de experimentarem situações diferentes e acabam por isso desenvolvendo (se forem capazes de auto-reflexão) mais sabedoria. A sabedoria as torna menos ansiosas, mais autoconfiantes, mais capazes de “segurar” certos momentos emocionais difíceis que se pode atravessar em processos de coaching. Além disso, como as pessoas mais vividas, em geral, já não precisam demonstrar suas competências, pois já têm resolvidos seus problemas de auto-estima, podem ser mais não-diretivas com seus coachees. Elas geralmente aprenderam a ser mais pacientes. Podem ainda, apoiá-los na exploração de alternativas de ações, de modo mais amplo, pois adquiriram uma visão mais larga de mundo. Sendo mais clara, a profissão coach não deveria ser a primeira opção de alguém recém-formado, pois vão lhe faltar alguns recursos pessoais, mesmo tendo todos os técnicos e metodológicos.

Existe também a preocupação com seu target. Acredito que “cada coachee tem o coach que merece” e vice-versa. Cada coach deve ter claro seu próprio perfil pessoal e mundo de interesses para poder posicionar-se adequadamente e atrair para seu trabalho, aqueles coachees que tenham mínima identificação consigo. Creio ainda que como não existe a ciência neutra (1), muito menos existe um coach neutro. Em outras palavras, considero ético que um coach se mostre o mais possível naquilo que é, se possível escreva ou mantenha um site onde revele suas idéias e valores e convide seus clientes interessados a visitarem esse site, para confirmarem se há alguma identificação ou não. “Ficar em cima do muro”, não contribui em nada para um processo de coaching, a menos que o coach seja capaz de manter-se assim durante todo o processo, no nível consciente e inconsciente, o que sabemos ser praticamente impossível. Já o disseram Freud, Lacan e todos os psicanalistas, mas também um biólogo, por exemplo, Maturana (2), que “nós seres humanos sempre fazemos o que desejamos, mesmo quando dizemos que somos forçados a fazer algo que não queremos, que não gostamos. O que ocorre neste ultimo caso, é que nós queremos as conseqüências que acontecerão se fizermos o que reclamamos que não queremos fazer. Isto é nosso desejo, nosso desejo consciente e inconsciente determina o curso de nossas vidas e o curso da história humana. [ ] … é por isto que frequentemente não gostamos de refletir sobre nossos desejos. Se nós não vermos nossos desejos podemos viver sentindo nenhuma responsabilidade pela maioria das conseqüências do que fazemos”.

E para finalizar este escrito, seria importante lembrar que deve existir, para cada interessado em melhorar sua performance como coach, um espaço onde ele possa compartilhar suas idéias e experiências. É sumamente importante estar conectado com outros para compartilhar acertos, duvidas e maus passos. Fazer parte de uma associação através da qual possamos organizar o que acharmos interessante para podermos nos expor, e na exposição dialogar, e no diálogo aprender e ensinar e assim desenvolver e melhorar as condições da oferta de serviços em coaching, no nosso país. Esta atitude deve constituir-se parte da nossa ética e da nossa responsabilidade.

 

REFERÊNCIAS

JAPIASSU, Hilton F. EPISTEMOLOGIA O mito da neutralidade científica. Rio, Imago, 1975 (Série Logoteca)

TRINDADE, André. Os direitos fundamentais em uma perspectiva autopoiética. Porto Alegre: Livraria dos Advogados. 2007.

WEBER, Max. A “Objetividade do conhecimento na Ciência Social e na Ciência Política. In: Metodologia das Ciências Sociais. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1993.

SIMON, H. A. Comportamento administrativo: estudo dos processos decisórios nas organizações administrativas. 2.ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1965. (2) MATURANA, H. Metadesign. Copyright 1997, 1998 Instituto de Terapia Cognitiva Artigo. Disponível no site: http://www.inteco.cl/articulos/metadesign_parte2.htm

Voltar ao topo

 


 

RESENHA

“Multidimensional Executive Coaching” de Ruth L. Orenstein

Por Rosa R. Krausz

Trata-se de uma publicação de abordagem ampla, com fundamentos teóricos sólidos e um quadro de referência conceitual claro para uma prática séria e competente do processo de Coaching Executivo Empresarial.

O volume foi organizado em 17 capítulos. Os três primeiros abordam a análise de um caso específico, o estado da arte do Coaching Executivo e Empresarial e os princípios teóricos da abordagem multidimensional, enfatizando os aspectos psico-sociais do comportamento individual e organizacional, bem como a importância do constante exercício da autoreflexão do Coach a respeito de sua condição de principal instrumento no exercício desta atividade.

Como afirma a autora (p.32), a condição de Coach Executivo “Exige que o profissional esteja disposto a comprometer-se com contínua autoreflexão durante todo o processo, para determinar que pensamentos e sentimentos são evocados e diferenciar entre respostas características e aquelas que são disparadas pela circunstâncias do momento”.

Nos nove capítulos seguintes, Orenstein analisa a prática do Coaching Executivo detendo-se nas três fases do processo que parte do contato inicial, encontro preliminar, estabelecimento de metas, contrato, assessment, feedback, objetivos, coaching formal, avaliação de resultados e encerramento do processo de coaching. Cada um destes aspectos é abordado através da análise de vários casos o que constrói uma ponte interessante entre teoria e prática, ilustra a metodologia e facilita o acompanhamento do processo.

Os capítulos seguintes complementam estas informações com comentários diversificados sobre os fatores que poderão intervir/impactar os resultados, além de enfatizar as diferenças entre Coaching Executivo e outras formas de intervenção.

Os capítulos finais podem ser considerados como uma síntese, pois focalizam um caso que ilustra toda a teoria em ação, comentando aspectos eminentemente práticos do processo de Coaching Executivo.

Trata-se de um trabalho importante que reconhece a complexidade do Coaching Executivo e justifica o seu status de especialidade e que por isso mesmo é útil e necessário tanto para profissionais experientes, quanto para Coaches Executivos em formação.

A amplitude da abordagem e a relevância atribuída às condições do contexto evidenciam a necessidade de compreendermos o Coaching Executivo e Empresarial não apenas como um trabalho individualizado breve e eficaz, mas também, e principalmente, como uma intervenção estratégica, proativa e sistêmica de preparo/desenvolvimento do capital humano capacitado para lidar com as demandas imprevisíveis do presente e do futuro.

Como escreveu Chris Argyris, nos idos de 1975 “É o próprio sucesso de uma profissão em desenvolvimento que gera demandas de questionamento desta profissão”.

Coaching Executivo e Empresarial traz consigo um enorme potencial de contribuição para a aprendizagem e o desenvolvimento, maximizando a utilização do Capital Humano à favor das pessoas, das organizações e da humanidade. O seu sucesso nos traz o desafio de aperfeiçoar e sintonizar o preparo dos que atuam ou pretendem atuar nesta área com as demandas de um mundo empresarial em transformação.

Orenstein, como podemos constatar no seu prefácio, escreveu seu trabalho dentro deste espírito, o de contribuir para a humanização do mundo empresarial e elevar a qualidade de vida dos seus habitantes.

 

REFERÊNCIAS

Orenstein, Ruth L. (2007) Multidimensional Executive Coaching. N. York : Springer Publishing Company. Como indica o prefaciador deste trabalho, K. Eisold, “ este é um livro sábio em muitos aspectos”.

Voltar ao topo