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:: Maiêuti-Cando - Indagações Incessantes
Publicado no informativo de maio/2008

Como o nome, gerúndio de um verbo inventado, maieuticar indica, este é um espaço consagrado a indagações sobre questões que “nos trabalham” ou que não cessam de não se responder sobre o coaching executivo e empresarial.

Tenho uma questão que retorna de tempos em tempos e que decidi compartilhar vocês colegas. Tenho insistido quando dos meus contatos nos clientes que seus pretensos coachees devem conhecer alguns coaches antes de contratar um deles, pois a liberdade da escolha é de extrema importância para a efetividade do processo, uma vez que este se dá a partir de uma aliança. Considero este tema, a arte da construção de uma aliança entre coach e coachee, crucial e mais ainda, tão belo e tão delicado que vale a insistência.

Entretanto percebo que nas organizações, via de regra, existem algumas atitudes e ações diferentes em relação a tal condição (a liberdade de escolha). Entre as que mais me preocupam estão a compra de pacotes envolvendo alguns aspectos:

 - Coaching faz parte de um pacote de um programa maior envolvendo Desenvolvimento de Liderança, ou Desenvolvimento Gerencial, ou algo parecido.
 - Coaching vem embalado em um número fixo de sessões
 - Coaching é a indicação que acompanha o pacote de Avaliação de Desempenho (em seus muitos nomes)
 - Pacotes de coaching de um mesmo coach. 
 

Será que alguns dos usos e costumes acima citados são eficazes? Haveria prejuízo para o coachee e indiretamente para a organização, nessas práticas?

Vou esboçar algumas idéias e convido aos colegas que contribuam com suas opiniões nos ajudando a formar mais discernimento e definir melhores práticas e contratos no futuro.

Sobre o fato do coaching fazer parte de um pacote de um programa maior envolvendo algum programa de Desenvolvimento. A intenção é ótima, mas será que a forma é a melhor? Afinal nós não defendemos que o coachee deve não somente desejar, mas realmente demandar um coaching, para que ele seja efetivo? Sabemos que o compromisso do coachee é o principal ingrediente desse processo, então, será que quando ele chega empacotado, vem no momento oportuno e nas condições adequadas? Em um grupo de 20 gerentes, todos estarão com a mesma prontidão para embarcar nesta aventura? Sabemos que o processo de coaching exige coragem do coachee para conscientizar-se de sua condição atual e vontade de dar passos na direção escolhida por ele. Mas tem um gerente nessas circunstâncias condições morais de recusar? Cabe a nós coaches entender e avaliar tal decisão de participar no coaching? Mas e o que fazer quando notamos que um gerente está apenas “politicamente correto”, aceitando sem desejar? Ou nos cabe sermos criativos e ajudarmos um gerente, que veio em um pacote, a escarafunchar algum desejo escondido e apóia-lo na alavancagem da motivação para faze-lo crescer?

Sobre o pacote que vem embalado em um número fixo de sessões, creio ser mais fácil, pois atualmente já está mais compreendido que não é possível prever a duração de um processo. Entretanto algumas empresas gostam de comprar um montante de horas, em virtude de questões burocráticas relacionadas a previsão e pagamento. Como devemos agir nesse caso? Devemos ceder e contratar um montante mais amplo que a média da nossa experiência, por exemplo? Mas ainda assim devemos deixar claro que o procedimento burocrático financeiro não tem nada a ver com o processo que acontece entre coach e coachee?  Ou não devemos aceitar tal acordo burocrático, pois afinal ele pouco significa.

Sobre o coaching como indicação do pacote de Avaliação de Desempenho, ou seja, como tratamento de um problema. Ora, uma tal situação apresenta o coachee ao coach em uma posição de inferioridade, o que é bastante prejudicial, trazendo para o centro da relação uma problemática adicional. Nesses casos parece não restar alternativa que investir algumas sessões na abordagem dessa sensação de devedor do coachee.  Existiria outra saída? E nos casos em que ele está tão acostumado a ser inferiorizado, pois a empresa sempre tem razão, e ele nem sequer se dá conta da situação? Por outro lado, como iniciar um processo de coaching se sabemos que nosso parceiro está com uma asa quebrada? Estará ele livre para se perceber, se conscientizar e escolher as competências que julgar importantes desenvolver, ou virá ele com um pacote de recomendações do RH ou da sua chefia? O que devemos fazer nesses casos?

Finalmente, sobre a contratação de um pacote de coaching de um mesmo coach para todos os coachees da companhia? Poderia haver algo mais diretivo e restritivo do que isto? Será que as empresas que contratam somente um coach entendem a delicadeza desse vínculo? Penso que as organizações que assim agem subestimam o peso e o valor da aliança no processo de transformação pretendido. Seria sensato propor que a organização ofereça pelo menos três alternativas a cada coachee e que cada um tenha liberdade de escolha?

Embora tenha algumas sugestões de respostas, prefiro deixar em aberto ao convite já posto, para que mais colegas se manifestem.

JSC

 


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