Esta tese nos da a oportunidade de apreciar um material único que traz novas luzes sobre esta atividade, cuja expansão e crescente importância demandam informações sistematizadas sobre sua história e sua trajetória.
A autora concentra sua investigação no período que vai de 1937 a 2005 abrangendo um período de quase 70 anos. Faz um levantamento das publicações encontradas, o que demonstra que a idéia de coaching no ambiente de trabalho não só é mais antiga do que se imaginava, mas também que esta idéia foi amadurecendo e se expandindo a medida que a tecnologia e os processos de produção de bens e serviços avançavam, acelerando o ritmo das mudanças.
Segundo a autora, os primeiros trabalhos surgiram entre 1937- 1959 – neste período aparecem os primeiros trabalhos sobre coaching aplicado a administração se pessoal.
De1960 a 1979 foram localizados 23 artigos sobre Coaching, dos quais 15 em revistas de treinamento.
Na década seguinte, 1980 - 1989 – foram identificados 33 artigos sobre coaching dos quais 16 foram publicados em revistas de treinamento e 6 em revistas de administração.
Entre 1990 – 1999 observa-se uma elevação notável no número de artigos publicados que atingiu 129, dos quais 35 em revistas de administração, 27 em revistas de treinamento, 24 em revistas de psicologia e 10 em revistas de negócios. Os 33 restantes apareceram em mídias diversas. Tal distribuição demonstra claramente o aumento e a diversificação do interesse pelo assunto.
Esta tendência se acentua e nos primeiros 4 anos do novo século o número de artigos publicados mais do que dobra chegando a 274. Mais de 27% dos artigos (62) aparecem em revistas de psicologia, 21,5% (59) em revistas de administração, 20% (55) em revistas de treinamento, 13% (35) em revistas de desenvolvimento organizacional e os restantes 19% em varias outras.
Como escreve a autora, “A maturidade (da indústria de Coaching) foi impulsionada por pelo menos três forças interrelacionadas:
1. A experiência acumulada sobre Coaching
2. O crescente ingresso de profissionais na área de Coaching oriundos de uma ampla gama de experiências profissionais.
3. A crescente sofisticação da gestão e dos profissionais da área de RH.
Os livros apareceram mais tarde, denotando um amadurecimento e uma tendência ao aprofundamento teórico.
Entre 1978 e 1991 foram localizados 10 livros que abordavam o uso do Coaching para elevar o desempenho gerencial.
Entre 1992 e 1995, foram publicados 10 livros dos quais 6 versavam sobre coaching em gestão. Dentre estes se destaca o trabalho de Hargrove sobre princípios gerais e modelos de coaching.
Nos dois anos seguintes, 1996-1997 publicaram-se 5 livros dos quais 4 versam sobre coaching em gestão e um sobre coaching em treinamento.
Entre 1998-2000 apareceram 29 livros tratando de Coaching, dentre os quais destacamos o trabalho de Hudson, de Kilburg, a coletânea de Goldsmith, Lyons e Freas. Alguns deles apresentam posicionamentos que tendem a confundir mentoring com coaching, consultoria com coaching, iniciando uma polêmica que chegou aos nossos dias.
Segundo a autora, desde então, aconteceu uma explosão de livros, revistas especializadas e um sem número de artigos publicados pela imprensa e pela internet, além de teses de mestrado e doutorado, calcados nos mais diversos ramos das ciências sociais, em particular os diferentes ramos da psicologia, complementada pela antropologia, sociologia, administração, desenvolvimento organizacional, consultoria, treinamento, gestão de RH, educação de adultos, aprendizagem e desenvolvimento.
Outra influência constatada por Brook, embora menos marcante, é a da filosofia, tanto ocidental (Sócrates), quanto oriental (Lao Tzu e Zen Budismo).
Afirma, de acordo com Anthony Grant, que a Filosofia, Economia e Negócios, Ciências do Comportamento e Educação de Adultos são as 4 colunas que sobre as quais se apóia a Profissão de Coach.
Como sugere Brook (p.121), cada uma destas disciplinas básicas teve sua influencia sobre o coaching. Um exemplo é a área de Economia e Negócios que disponibiliza instrumental oriundo do desenvolvimento organizacional, da administração, da consultoria, dos modelos de liderança, da teoria geral de sistemas, etc.
Seu estudo examina ainda as relações entre as disciplinas e profissões reconhecidas e a “emergente” disciplina de Coaching.
Os dados colhidos no levantamento, na pesquisa e nas entrevistas com pessoas notáveis na área de coaching apontam para o seguinte:
1. Coaching é fruto de um conjunto de elementos originários principalmente da psicologia, da administração, da educação e desenvolvimento de adultos, além da filosofia, tanto ocidental como oriental, teoria de sistemas e sociologia.
2. Coaching apresenta um amplo quadro de referência intelectual que se apoia na sinergia, fertilização cruzada e práticas de várias áreas do conhecimento.
3. As práticas e padrões de coaching são dinâmicos e contextuais, ou seja, o coaching é customizado em termos de coach, coachee, contexto e especificidade da situação específica.
4. Coaching surgiu para atender a uma de manda de um mundo instável, complexo e em rápida transformação.
5. A meta comum do coaching é contribuir para o bem estar e o sucesso das pessoas.
A autora identifica os seguintes desafios profissionais para o coaching:
1. O estabelecimento de um corpo de conhecimentos e metodologias que assegurem às pessoas a compreensão e a competência para garantir a excelência da prática.
2. O desenvolvimento de um corpo de conhecimentos de coaching que não se confundam com as disciplinas afins.
3. Equilibrar as expectativas em relação aos papéis, habilidades e conhecimentos especializados do coach com a realidade da inexistência de um preparo profissional, qualificações e um corpo de conhecimentos especializados de coaching padronizados/estabelecidos.
4. Encontrar alternativas para tornar o coaching uma só disciplina global de teoria e prática num meio sócio-econômico pós-moderno.
5. Alcançar uma posição diferenciada no mercado que seja distinta de todas as outras disciplinas que contribuiram para a sua formação.
Viki Brook termina sua tese com a seguinte frase, “Coaching é um campo emergente, dinâmico, complexo e em evolução. Este trabalho é disponibilizado como uma contribuição para a continuidade da evolução do coaching como uma profissão e um movimento social”.
Esta tese constitue um trabalho detalhado que tem méritos indiscutíveis tais como seriedade, profundidade e comprometimento ao tratar de um tema sobre o qual existe pouco material sistematizado.
Rosa R. Krausz