Trata-se de um livro que chama atenção pela capacidade dos autores em lidar com temas tão complexos de fronteiras tão confusas, propondo um modo de olhar que contribui para delimitar a abrangência de âmbitos e modelos de atuação no campo do coaching e do mentoring.
Os autores têm alguns livros publicados e um de seus campos de estudos principais ao lado do coaching e do mentoring, tem sido o da Inteligência Emocional, sendo sua abordagem a partir principalmente da neurolinguística (ou neurossemântica). O que é digno de nota é que a apresentação do tema deste livro sobre mentoring e coaching guarda apenas uma relação com a neurolinguística de modo que mesmo aqueles que não simpatizam muito com esta abordagem, colhem excelentes insights da obra cuidadosamente e seriamente escrita.
Nas 264 páginas são apresentados conceitos, modelos, técnicas e exercícios práticos. Em termos conceituais, eles propõem uma distinção entre mentoring e coaching de fácil entendimento e aceitação em virtude da clara aplicação. Sugerem por exemplo que Mentoring é um processo cuja extensão no tempo pode ser de longo prazo ou de curto prazo, cujos focos são o Porquê – com seus fundamentos baseados em crenças e valores e o Quem – o ser, a identidade pessoal e profissional. Por outro lado, segundo os autores, o Coaching é uma abordagem em curto prazo cujos focos são O que – os comportamentos desdobrados no dizer, fazer, sentir e pensar e o Como – as habilidades e recursos baseados nos potenciais. Afirmam que do ponto de vista do papel profissional, podemos aprender a ser coaches, mas somente a experiência nos faz mentores.
O livro é composto pelas seguintes principais partes: 0 - Introdução, 1 – Começando do princípio, 2 – Organizando os processos de mentoring e coaching, 3 – Refletindo sobre o assunto e seguindo adiante, 4 – Habilidades de Mentoring em curto prazo, 5 – Habilidades de Mentoring em longo prazo, 6 - Conclusão. Borboletas bem preparadas, 7 - Apêndice – A arca do tesouro do mentoring e do coaching.
A forma de desenvolver o texto é bastante atraente, iniciando-se com algumas metáforas e levando-as até uma conclusão, no final do livro. Lembram os autores origens de palavras e de conceitos como o de coach que conhecemos e a de mentor. Esta última, mentor, teria sido usada pela primeira vez pela deusa grega Atena, ao pretender desenvolver seu jovem treinando Telêmaco (filho de Ulisses). Para tanto, fez-se passar por um sábio ancião de nome Mentor. Ela sabia que em se apresentando a Telêmaco como a deusa Atena (sua verdadeira identidade), ele suporia que ela tivesse poderes não somente para transformá-lo, mas para solucionar todas as suas dificuldades, em seu lugar. Dessa forma a deusa, como Mentor, deixava que Telêmaco analisasse, decidisse, experimentasse e inclusive cometesse erros, para que pudesse refletir e sentir as conseqüências de suas decisões. Acreditava Atena, que somente assim ele poderia aprender a fazer melhor nas próximas ocasiões.
Cleila Elvira Lyra
Merlevede, Patrick E. e Bridoux Denis C. Dominando o mentoring e o coaching com inteligência emocional (2008).Rio de Janeiro: Qualitymark, 264p.