Pensemos no significado de “ser” e de “estar”, dentro de uma organização. Em ambas as situações estamos recebendo informações do ambiente externo e fazendo escolhas.
Somos quando fazemos parte de um sonho ou do planejamento de um projeto, quando temos espaço para usar nossa imaginação, pensamento e palavras, transformando-os em ação. René Decartes, filósofo que nasceu em 1596, construiu todo um sistema de pensamento a partir de uma premissa fundamental: “Penso, logo existo”.
Somos quando temos a capacidade de fazer escolhas conscientes, quando conhecemos nossas intenções e conseguimos comunicá-las ao nosso interlocutor através de palavras ou ações.
Somos quando criamos, interagimos com o próximo e estabelecemos relações onde ambas as partes aprendem, ganham experiência e ultrapassam as resistências.
Somos quando fluímos, quando estamos de acordo com a nossa natureza e íntegros com nossos pensamentos e ações, quando estamos em sintonia entre o que acontece no mundo externo e no mundo interno.
Do contrário, estamos com o piloto automático ligado, cumprindo uma rotina, reagindo aos estímulos e demandas que recebemos. Meros executores, burocratas e cumpridores de tarefas, atuando no campo da obrigação e do dever.
Estamos presidentes, diretores, gerentes, analistas executando algo que nos pediram, algo que vai satisfazer um outro sujeito, mas que não temos consciência do que , do porquê , do como, para quê e para quem fazemos aquilo.
Estamos quando não temos consciência de que “ser” ou “estar” é uma escolha própria, quando não pensamos sobre o que fazemos ou como nos sentimos e temos a ilusão de que não estamos responsáveis ou não temos o controle das nossas escolhas.
Escolher abdicar do controle das nossas escolhas é também uma escolha, que nos coloca na situação de “estar”. Estar sob o comando de outros, sob o controle do desejo de outro, embora este outro possa estar também dentro de nós.
É muito difícil estarmos o tempo todo conectado com o nosso “ser”, em muitos momentos somente “estaremos”. Este movimento é parte da vida.
Para quem chegou até aqui com esta leitura pode estar indagando-se: então, como saber se “sou” ou “estou”, como percorrer este caminho, como estar mais em contato com o que se passa no mundo interno e externo, quem é este sujeito, como conseguir maior controle sobre minhas escolhas? Entre outras, que podem lhe estar surgindo.
“Ser” é ter uma mentalidade de aprendizado contínuo, envolve descoberta, reflexão, revisão de crenças e valores, envolvimento e interação com outras pessoas. “Ser” requer abertura para a observação, feedback, investigação, ação e reação.
Este tipo de reflexão e trabalho investigativo sobre nosso “ser” no ambiente organizacional pode ser muito bem sustentado através de um processo de Coaching. Quando nos entendemos e podemos escolher conscientemente como preferimos reagir ou responder a uma determinada situação, seremos mais capazes de “ser”. Como conseqüência poderemos rever e mudar pontos de vista, usar de forma mais efetiva nosso potencial , redistribuir o investimento de energia, atuar mais focado nos objetivos de forma íntegra e gerar melhores resultados.
Sem dúvida, é um processo que requer tempo, dedicação e todo esforço que um processo de desenvolvimento demanda de ambas as partes envolvidas. Por isso, a escolha do seu interlocutor num processo de Coaching, o Coach, deve ser muito cautelosa.
Para “ser” precisa-se do outro como espelho e este outro deve estar profundamente preparado para acolher o seu “ser”, somente através de uma escuta ativa e neutra, Coach e Coachee podem fazer este percurso. Não há receita nem ferramenta que substitua o preparo intelectual e emocional que um Coach precisa ter para exercer este papel de forma ética e levando em conta a singularidade do sujeito que escuta.
Quando iniciamos um processo de desenvolvimento devemos ter em mente que não podemos mudar as pessoas, e não há pessoa que possa nos mudar, mas podemos mudar a nós mesmos, como reagimos e nos adaptamos às outras pessoas.
Esta mentalidade pode mudar uma dinâmica pessoal e fazer um melhor uso dos recursos internos, aproximando o “ser” da sua natureza e trazendo para as organizações a possibilidade de ambientes mais produtivos.
É de Sócrates uma sentença que já tem cerca de 2400 anos: “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”, aproveito sua citação para deixar um convite à reflexão: “sou” ou “estou”?
Patrícia M. Jasiocha
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