Os efeitos no coaching daquilo que “trabalha” a alma do coach.
JSC
“A arte e a prática de conseguir um impacto benéfico no diálogo interno dos alunos (tenis) tornaram-se meu principal tema-tese como coach.” Timothy Galwey[i]
Sabemos que o tamanho da janela pela qual o coach olha o horizonte, é o limite da expansão do seu cliente. A largura e a altura do quadro da janela, pela qual o coach percebe a realidade demarcam a amplitude do “mundo” que pode ser compartilhado por ambos. É simples, se a janela do coach for pequena, só se pode ver através dela uma parte do mundo, somente o que estiver bem a frente,
Caberia a seguinte pergunta: mas como um cliente que tem uma janela ampla pode se entender com um coach cuja janela é mais estreita? Como este último poderá entender algumas atitudes, alguns valores, facilitar algumas análises de alternativas, apoiar processos de decisão, desafiar seu cliente em alguns momentos?
Provavelmente todos nós já ouvimos falar de um coach, terapeuta, professor que não experimentou em sua vida algumas dificuldades que seu cliente vive e por isto tem dificuldades em lidar com ele. Geralmente tratam-se de dificuldades em ter empatia, compreender ou apoiar para que este reflita, analise alternativas e conclua em alguma decisão para encaminhar uma solução.
Esta é uma das razões pelas quais as pessoas quando ficam mais velhas, ficam mais sábias. O fato de terem presenciado ou vivido muitas situações da vida, muitas vezes somente em virtude do tempo de exposição à vida, permitem que ela seja mais compreensiva, tolerante, serena e, portanto pode-se dizer mais inteligente ou sábia.
Sabedoria evidentemente não é sinônimo de envelhecimento, mas sem dúvida este contribui muito para aquele. Por exemplo, um mesmo sujeito é mais sábio aos 60 do que foi aos 30.
Sabedoria, entretanto, além do tempo de exposição à vida, depende de algum modo, da capacidade e interesse que tem um sujeito em experimentar a vida “de peito aberto”. Deixar a vida acontecer e refletir sobre como nos sentimos, reagimos, mudamos e, os efeitos que causamos nos outros, é um componente essencial da sabedoria. Viver e elaborar as vivências nos tornam mais sábios. A coragem que temos de analisar nossas experiências favorece a descobertas de partes pouco familiares em nós e contribui para aceitação das outras naturezas que constituem nosso ser inteiro. É, portanto, o fator central na abertura da nossa janela, entrar em contato, reconhecer e acolher nossas luzes e nossas sombras.
Galwey nos fala desse processo, primeiramente nos seus alunos de tênis e depois nos seus coachees. Chama de EU1 e de EU 2 duas dessas partes da nossa natureza psíquica que entram em confronto e duelam
Segundo o coach, o EU 1 é predominante nas nossas vidas no mundo ocidental, altamente racional, cobrador e stressante. Ele é tão severo quanto Freud descrevia o Super Eu. Assim sendo, o EU 2 fica submetido a esta cobrança e não pode desenvolver sua capacidade natural de enfrentar situações novas e resolver problemas com sua própria inteligência[ii], passando a seguir modelos e instruções de um outro (coach, técnico, professor, marido, pai, chefe...).
Galwey afirma, como vimos na introdução, que sua principal tarefa como coach é estimular seus clientes a acreditarem em seu EU 2 e portanto lhe darem mais espaço. Seguindo este percurso, o do EU 2, cada coachee pode desenvolver mais plenamente seus verdadeiros dons, e portanto, sua singularidade, única condição de se tornar criativo, soberano de si mesmo e auto-confiante.
Curioso é que sem nunca haver citado, Galwey utiliza a mesma designação de Jung: EU 1 e EU 2 e os descreve de modo algo similar, embora com menor profundidade, em virtude das diferenças de formações, interesses e aplicações.
Jung descobre em si mesmo a existência de duas personalidades, ou dois sujeitos diferentes que têm características opostas e devido a isto, se digladiam internamente, deixando o sujeito perplexo diante das suas próprias ambigüidades.
Sabemos que este psicanalista percorreu ele mesmo, o caminho que depois organizou, sintetizou e nomeou processo de individuação. Ele afirmava ter “vivido seu inconsciente” e considerava esta sua missão no mundo: vivê-lo, descrevê-lo, sistematizá-lo e permitir a compreensão de fenômenos psíquicos dos chamados doentes mentais, dentro do campo da ciência.
O processo de individuação é o caminho de transformação de um sujeito ampliando o mais possível suas experiências interiores através da vivência e análise. Isto significa abrir-se para outras dimensões do seu inconsciente, o que, em última análise, nos conecta com todos os outros humanos e todas as manifestações de vida no universo.
No entender de Jung, os dois Eus são assim constituídos: EU 1 é o ativo, ele é mais raso, mais social, mais visível, mais concreto e mais racional. O EU 2 é o “homem velho que pertence aos séculos”[iii], ele é mais profundo, introvertido, invisível, simbólico, intuitivo. Nenhum dos dois é melhor, trata-se apenas de compreendê-los e de deixar prevalecer ora um e ora o outro nas ocasiões mais adequadas.
Se Galwey identificou esses dois Eus observando seus alunos, sua janela para o mundo certamente era ampla e isto porque deve ter vivido experiências em sua vida, que permitiram tal abertura. É preciso coragem para assimilar e tratar como verdadeira uma observação que acendeu a luz do fundo da intuição.
Se Jung é considerado um dos maiores pensadores do século passado, ou talvez de vários séculos é pela sua coragem em assumir suas vivências, suas intuições e mesmo sem saber ao certo os limites entre sua sanidade ou loucura, não sucumbiu ao lugar comum das ”verdades” da sua época. Sua janela para o mundo era imensa, pois não se limitava ao que os olhos do corpo viam, ele também enxergava com os olhos da alma.
Editorial Colegas, eis aí nosso segundo número, o qual fazemos chegar a vocês um pouco adiantado, já que ele pertence ao primeiro trimestre do ano 2008. A razão é simples, temos material interessante e desejamos fazer a ABRACEM presente neste Natal. Estamos felizes, uma vez que como previmos, este Boletim está se tornando não somente um elo entre nós, mas nosso - das pessoas e profissionais interessados em atuar cada vez com melhor qualidade na arte do Coaching Executivo Empresarial. Neste número podemos notar que continuamos com um certo encantamento que considero muito inteligente e saudável, nos rastos do memorável filósofo Sócrates. Temos dois espaços voltados às suas idéias: Queremos aproveitar para lhes lembrar que o final de ano pode ou deve ser vivido por cada um de nós, como um verdadeiro rito de passagem para um novo começo, um tempo melhor. Mircea Elíade em seu livro O mito do eterno retorno, nos ensina que nossos ancestrais consideravam o tempo eterno e não histórico, ou seja linear. Eles entendiam que em cada ritual que realizavam tinham o poder de transformar o momento presente, no tempo sem tempo (in Illo tempore) do início dos inícios, o tempo sagrado. Assim procedendo, eles conseguiam voltar ao princípio, quando eram puros e tinham todas as condições de fazer melhores escolhas. Dessa maneira, conseguiam curar as feridas dos erros cometidos e podiam recomeçar depois do ritual, novos, originais, puros para o novo ciclo da vida que recomeçava. Em outras palavras, tratava-se de um ritual de purificação, onde era possível em cada início de ano recomeçar a existência plenos de possibilidades. A propósito, e nada por acaso, a palavra que utilizamos na contemporaneidade para marcar este tempo, réveillon, é oriunda do verbo réveiller que em frances significa "despertar". Entretanto nossos réveillons não guardam mais nada em comum com os antigos rituais, a não ser certas superstições anacrônicas, como comer 12 uvas, comer lentilhas, usar roupas brancas... È por esta razão que julguei interessante lembrá-los, como nos dizem os cientistas da física dos fenômenos sub-atômicos (quântica): “nós criamos a realidade com nosso pensamento”. Assim, com base nos ancestrais ou com bases nos físicos pós-modernos, aproveitemos nesse final de 2007 a refletir sobre nossa vida e nossas práticas profissionais, retendo apenas o que considerarmos essencial e iniciemos o 2008, com a alma “lavada” e aberta a plenitude do fluxo da vida! Esperamos continuar obtendo cada vez mais adesão e a receber suas sugestões e colaborações. Feliz Natal e um purificador Réveillon para todos! Cleila Elvira Lyra Coordenadora do Comitê Newsletter Vice-presidente ABRACEM _______________________________ Prezado(a) colega, A chegada das festas natalinas nos estimula a refletir sobre o ano que chega ao fim e o outro que se inicia. São planos, perspectivas, sonhos e esperanças que se delineiam no horizonte e que nos animam a enfrentar os novos desafios. Desejamos partilhar com você a alegria das conquistas da nossa associação. A ABRACEM tem se firmado, cada vez mais, como uma associação referência no mundo corporativo brasileiro, graças ao desempenho dos nossos associados que não só partilham dos princípios técnicos e éticos de nossa associação, mas também os aplicam e divulgam através do seu trabalho como Coaches Executivos e Empresariais. Temos recebidos muitas consultas de pessoas que gostariam de associar-se à ABRACEM, mas que, lamentavelmente, por não preencherem os pré-requisitos estabelecidos pelos Estatutos da nossa entidade, inviabilizam esta afiliação. Prosseguimos na nossa rota de crescimento. Em 2007 duas turmas, uma em Curitiba e outra em São Paulo, completaram sua formação, uma nova turma iniciou os trabalhos em Outubro e planejamos iniciar um novo grupo em Fevereiro próximo em Curitiba, em parceria com a UNINDUS. Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre também demonstraram interesse pelos cursos de Formação de Coaches Executivos e Empresariais reconhecidos pela ABRACEM. Nosso site tem registrado um aumento de acessos, o que nos garante um lugar na primeira página do Google e agora, com o Boletim Informativo, ampliamos a capacidade de comunicação com os membros da nossa comunidade. Nosso desenvolvimento como uma associação profissional, entretanto, está intimamente vinculado à sua participação. Esta inclui escrever artigos para o site ou Boletim, contribuir com idéias, propostas, comentários, inserir seus dados no catálogo de associados, divulgar a ABRACEM, participar dos grupos de estudo existentes, fazer apresentações em congressos, seminários e demais eventos de caráter profissional, estar quites com a anuidade. Estes aportes garantem a continuidade e o sucesso da nossa Associação neste novo ano. Desejamos a você um Natal pleno de afetividade, alegria, paz e convivência com os que lhe são caros e um 2008 inspirador, desafiante, pontilhado de vitórias, de crescimento, de realizações, de encontros e reencontros felizes. Receba meu cordial abraço e reiterados votos de Boas Festas. Rosa Krausz Presidente da ABRACEM _______________________________ Artigo - Ser ou Estar na Organização, Eis uma Questão... Você já parou para pensar quem você é na organização onde atua? Não me refiro à posição ou cargo que ocupa, pois este lhe é outorgado em função de um saber técnico e científico. Refiro-me a você, enquanto sujeito, ser humano que possui desejos e necessidades, preferências e limitações. Pensemos no significado de “ser” e de “estar”, dentro de uma organização. Em ambas as situações estamos recebendo informações do ambiente externo e fazendo escolhas. Somos quando fazemos parte de um sonho ou do planejamento de um projeto, quando temos espaço para usar nossa imaginação, pensamento e palavras, transformando-os em ação. René Decartes, filósofo que nasceu em 1596, construiu todo um sistema de pensamento a partir de uma premissa fundamental: “Penso, logo existo”. Somos quando temos a capacidade de fazer escolhas conscientes, quando conhecemos nossas intenções e conseguimos comunicá-las ao nosso interlocutor através de palavras ou ações. Somos quando criamos, interagimos com o próximo e estabelecemos relações onde ambas as partes aprendem, ganham experiência e ultrapassam as resistências. Somos quando fluímos, quando estamos de acordo com a nossa natureza e íntegros com nossos pensamentos e ações, quando estamos em sintonia entre o que acontece no mundo externo e no mundo interno. Do contrário, estamos com o piloto automático ligado, cumprindo uma rotina, reagindo aos estímulos e demandas que recebemos. Meros executores, burocratas e cumpridores de tarefas, atuando no campo da obrigação e do dever. Estamos presidentes, diretores, gerentes, analistas executando algo que nos pediram, algo que vai satisfazer um outro sujeito, mas que não temos consciência do que , do porquê , do como, para quê e para quem fazemos aquilo. Estamos quando não temos consciência de que “ser” ou “estar” é uma escolha própria, quando não pensamos sobre o que fazemos ou como nos sentimos e temos a ilusão de que não estamos responsáveis ou não temos o controle das nossas escolhas. Escolher abdicar do controle das nossas escolhas é também uma escolha, que nos coloca na situação de “estar”. Estar sob o comando de outros, sob o controle do desejo de outro, embora este outro possa estar também dentro de nós. É muito difícil estarmos o tempo todo conectado com o nosso “ser”, em muitos momentos somente “estaremos”. Este movimento é parte da vida. Para quem chegou até aqui com esta leitura pode estar indagando-se: então, como saber se “sou” ou “estou”, como percorrer este caminho, como estar mais em contato com o que se passa no mundo interno e externo, quem é este sujeito, como conseguir maior controle sobre minhas escolhas? Entre outras, que podem lhe estar surgindo. “Ser” é ter uma mentalidade de aprendizado contínuo, envolve descoberta, reflexão, revisão de crenças e valores, envolvimento e interação com outras pessoas. “Ser” requer abertura para a observação, feedback, investigação, ação e reação. Este tipo de reflexão e trabalho investigativo sobre nosso “ser” no ambiente organizacional pode ser muito bem sustentado através de um processo de Coaching. Quando nos entendemos e podemos escolher conscientemente como preferimos reagir ou responder a uma determinada situação, seremos mais capazes de “ser”. Como conseqüência poderemos rever e mudar pontos de vista, usar de forma mais efetiva nosso potencial , redistribuir o investimento de energia, atuar mais focado nos objetivos de forma íntegra e gerar melhores resultados. Sem dúvida, é um processo que requer tempo, dedicação e todo esforço que um processo de desenvolvimento demanda de ambas as partes envolvidas. Por isso, a escolha do seu interlocutor num processo de Coaching, o Coach, deve ser muito cautelosa. Para “ser” precisa-se do outro como espelho e este outro deve estar profundamente preparado para acolher o seu “ser”, somente através de uma escuta ativa e neutra, Coach e Coachee podem fazer este percurso. Não há receita nem ferramenta que substitua o preparo intelectual e emocional que um Coach precisa ter para exercer este papel de forma ética e levando em conta a singularidade do sujeito que escuta. Quando iniciamos um processo de desenvolvimento devemos ter em mente que não podemos mudar as pessoas, e não há pessoa que possa nos mudar, mas podemos mudar a nós mesmos, como reagimos e nos adaptamos às outras pessoas. Esta mentalidade pode mudar uma dinâmica pessoal e fazer um melhor uso dos recursos internos, aproximando o “ser” da sua natureza e trazendo para as organizações a possibilidade de ambientes mais produtivos. É de Sócrates uma sentença que já tem cerca de 2400 anos: “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”, aproveito sua citação para deixar um convite à reflexão: “sou” ou “estou”? Patrícia M. Jasiocha _______________________________ Resenha - "À maneira de Sócrates" – livro de Ronald Gross Um livro tão interessante que convém divulgar e estimular aos profissionais que desejem melhorar sua competência como coach. Trata-se de um autor pouco conhecido no Brasil, mas que nos EUA ficou famoso por se apresentar para ministrar suas palestras vestido como Sócrates: Ronald Gross. O título: Á maneira de Sócrates revela com perfeição seu conteúdo. O autor nas 260 páginas do livro nos convida a repensar nossa vida, através de reflexões desencadeadas pelo relato da maneira de pensar e viver do filósofo ateniense. Tais reflexões são úteis para estimular nossa inteligência, pois nos levam a indagar acerca de nós mesmos, nossos valores mais caros. O autor reforça o valor central de Sócrates: a busca da verdade e a coragem de afirmá-la sempre, mesmo que esta o leve, como o levou, a sua condenação final. Lembra-nos Gross que o filósofo foi considerado “figura não grata” ao Estado grego (ateniense) em virtude de estimular as pessoas a terem idéias próprias, expressarem e defenderem seus pontos de vista. Os princípios do mestre grego apresentados no livro nos mostram alguns passos que precisamos dar, se quisermos viver uma vida consciente, segundo sua máxima: “sem pensar na vida não vale a pena viver”. O livro é composto pelos seguintes principais capítulos: 1 - Conhece-te a ti mesmo, 2 – Faça perguntas importantes, 3 – Pense por si mesmo, 4 – Desafie as convenções, 5 – Cresça com os amigos, 6 – Diga a verdade, 7 – Fortaleça sua alma, e um último, sem número: Á maneira de Sócrates para as mulheres. A forma de desenvolver o texto é bastante envolvente uma vez que ele inicia cada capítulo com uma citação, ou um pequeno trecho de alguns dos textos mais famosos escritos por Platão, como o Banquete, A República, Apologia (defesa do seu julgamento) ou um breve relato de alguma passagem da vida de Sócrates e depois vai tecendo conexões com a vida do leitor, estimulando-o a analisar o seu próprio modo de pensar e agir. Poderíamos dizer que se trata de um manual de instruções para que exercitemos os 7 princípios acima citados. O que mais chama atenção aos coaches formados pela ABRACEM, é que ele nos ensina a perguntar, já que de fato este é o recurso por excelência do método socrático. Mas perguntar primeiro a si mesmo. O capítulo Faça as Perguntas Importantes é essencial para quem quer praticar a arte do coach, mas não pode ser lido em separado, sob pena de se tornar um piano sem som, ou seja, uma lista de perguntas vazias. É preciso saborear o livro, experimentando um pouco a existência como se fôssemos Sócrates, para podermos entender e nos apropriar dos seus ensinamentos. GROSS, R. (2005). Á maneira de Sócrates. Rio de Janeiro: Best Seller Cleila Lyra _______________________________ Notícias - Aconteceu em Outubro de 2007o lançamento do romance "Aprendi a Me Amar" de autoria do nosso colega de ABRACEM, Fabio Michelete. Trata-se de um romance, em que a personagem que vive de maneira comum descobre em seus encontros e desencontros o valor da auto-estima e da auto-valorização. Para mais informações: http://www.liquiddesenvolvimento.com.br - A ABRACEM realizará no segundo semestre de 2008 seu primeiro evento sobre Coaching Executivo e Empresarial. Aguardem! - A WFPMA – World Federation of Personnel Management Association realizará o 12o. Congresso de RH em Londres entre 14 -17 de Abril de 2008. Dentre as apresentações destacam-se: • Pesquisa realizada pela CIPD – Chartered Institute of Persaonnel and Development - sobre o papel do Coaching na estratégia da aprendizagem e de desenvolvimento das organizações. • Apresentação de casos de empresas que adotaram uma cultura de Coaching e o impacto observado no comportamento e no desempenho das pessoas. • Utilização dos princípios de coaching nos contatos informais entre gerentes e os membros de suas equipes. • Para informações adicionais: www.cipd.co.u7k/worldcongress - Será realizado em Dublin, em Julho de 2008, o Global Convention of Coaching (GCC) que reunirá profissionais, universidades e associações, bem como consumidores de Coaching, tanto individuais quanto corporativos. O objetivo deste encontro, que contará com representantes de todo o mundo, será estabelecer um diálogo entre prestadores de serviços, formadores e consumidores de Coaching para melhor compreender e atender as necessidades de todos os envolvidos. Para informações adicionais: http://www.coachingconvention.org Maiêuti-Cando Os efeitos no coaching daquilo que “trabalha” a alma do coach. JSC “A arte e a prática de conseguir um impacto benéfico no diálogo interno dos alunos (tenis) tornaram-se meu principal tema-tese como coach.” Timothy Galwey[i] Sabemos que o tamanho da janela pela qual o coach olha o horizonte, é o limite da expansão do seu cliente. A largura e a altura do quadro da janela, pela qual o coach percebe a realidade demarcam a amplitude do “mundo” que pode ser compartilhado por ambos. É simples, se a janela do coach for pequena, só se pode ver através dela uma parte do mundo, somente o que estiver bem a frente, Caberia a seguinte pergunta: mas como um cliente que tem uma janela ampla pode se entender com um coach cuja janela é mais estreita? Como este último poderá entender algumas atitudes, alguns valores, facilitar algumas análises de alternativas, apoiar processos de decisão, desafiar seu cliente em alguns momentos? Provavelmente todos nós já ouvimos falar de um coach, terapeuta, professor que não experimentou em sua vida algumas dificuldades que seu cliente vive e por isto tem dificuldades em lidar com ele. Geralmente tratam-se de dificuldades em ter empatia, compreender ou apoiar para que este reflita, analise alternativas e conclua em alguma decisão para encaminhar uma solução. Esta é uma das razões pelas quais as pessoas quando ficam mais velhas, ficam mais sábias. O fato de terem presenciado ou vivido muitas situações da vida, muitas vezes somente em virtude do tempo de exposição à vida, permitem que ela seja mais compreensiva, tolerante, serena e, portanto pode-se dizer mais inteligente ou sábia. Sabedoria evidentemente não é sinônimo de envelhecimento, mas sem dúvida este contribui muito para aquele. Por exemplo, um mesmo sujeito é mais sábio aos 60 do que foi aos 30. Sabedoria, entretanto, além do tempo de exposição à vida, depende de algum modo, da capacidade e interesse que tem um sujeito em experimentar a vida “de peito aberto”. Deixar a vida acontecer e refletir sobre como nos sentimos, reagimos, mudamos e, os efeitos que causamos nos outros, é um componente essencial da sabedoria. Viver e elaborar as vivências nos tornam mais sábios. A coragem que temos de analisar nossas experiências favorece a descobertas de partes pouco familiares em nós e contribui para aceitação das outras naturezas que constituem nosso ser inteiro. É, portanto, o fator central na abertura da nossa janela, entrar em contato, reconhecer e acolher nossas luzes e nossas sombras. Galwey nos fala desse processo, primeiramente nos seus alunos de tênis e depois nos seus coachees. Chama de EU1 e de EU 2 duas dessas partes da nossa natureza psíquica que entram em confronto e duelam Segundo o coach, o EU 1 é predominante nas nossas vidas no mundo ocidental, altamente racional, cobrador e stressante. Ele é tão severo quanto Freud descrevia o Super Eu. Assim sendo, o EU 2 fica submetido a esta cobrança e não pode desenvolver sua capacidade natural de enfrentar situações novas e resolver problemas com sua própria inteligência[ii], passando a seguir modelos e instruções de um outro (coach, técnico, professor, marido, pai, chefe...). Galwey afirma, como vimos na introdução, que sua principal tarefa como coach é estimular seus clientes a acreditarem em seu EU 2 e portanto lhe darem mais espaço. Seguindo este percurso, o do EU 2, cada coachee pode desenvolver mais plenamente seus verdadeiros dons, e portanto, sua singularidade, única condição de se tornar criativo, soberano de si mesmo e auto-confiante. Curioso é que sem nunca haver citado, Galwey utiliza a mesma designação de Jung: EU 1 e EU 2 e os descreve de modo algo similar, embora com menor profundidade, em virtude das diferenças de formações, interesses e aplicações. Jung descobre em si mesmo a existência de duas personalidades, ou dois sujeitos diferentes que têm características opostas e devido a isto, se digladiam internamente, deixando o sujeito perplexo diante das suas próprias ambigüidades. Sabemos que este psicanalista percorreu ele mesmo, o caminho que depois organizou, sintetizou e nomeou processo de individuação. Ele afirmava ter “vivido seu inconsciente” e considerava esta sua missão no mundo: vivê-lo, descrevê-lo, sistematizá-lo e permitir a compreensão de fenômenos psíquicos dos chamados doentes mentais, dentro do campo da ciência. O processo de individuação é o caminho de transformação de um sujeito ampliando o mais possível suas experiências interiores através da vivência e análise. Isto significa abrir-se para outras dimensões do seu inconsciente, o que, em última análise, nos conecta com todos os outros humanos e todas as manifestações de vida no universo. No entender de Jung, os dois Eus são assim constituídos: EU 1 é o ativo, ele é mais raso, mais social, mais visível, mais concreto e mais racional. O EU 2 é o “homem velho que pertence aos séculos”[iii], ele é mais profundo, introvertido, invisível, simbólico, intuitivo. Nenhum dos dois é melhor, trata-se apenas de compreendê-los e de deixar prevalecer ora um e ora o outro nas ocasiões mais adequadas. Se Galwey identificou esses dois Eus observando seus alunos, sua janela para o mundo certamente era ampla e isto porque deve ter vivido experiências em sua vida, que permitiram tal abertura. É preciso coragem para assimilar e tratar como verdadeira uma observação que acendeu a luz do fundo da intuição. Se Jung é considerado um dos maiores pensadores do século passado, ou talvez de vários séculos é pela sua coragem em assumir suas vivências, suas intuições e mesmo sem saber ao certo os limites entre sua sanidade ou loucura, não sucumbiu ao lugar comum das ”verdades” da sua época. Sua janela para o mundo era imensa, pois não se limitava ao que os olhos do corpo viam, ele também enxergava com os olhos da alma. [i] The inner game of work. Overcoming mental obstacles for maximum performance. Orion Business Book. [ii] Denomino aqui, Inteligência o modo natural e sistêmico de lidar com a vida, envolvendo o ser humano inteiro: mente, coração, intuição e corpo [iii] Carl G JUNG, Memórias, sonhos e reflexões – Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1963
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