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Artigo

:: Coaching Executivo Empresarial. A liberdade como resultado de uma formação.

Refletindo sobre o início de tudo, percebo que eu me encontrava muito desconfiada quando iniciei a minha formação em Coaching Executivo Empresarial.

 
Eu pouco sabia sobre as abordagens utilizadas no campo e o pouco que ouvia e lia, me parecia muito formatado. Modelos muito estruturados e metodologias muito “fechadas”.
 
Na verdade eu comecei a cogitar participar de uma formação em coaching, quase ao acaso. Nem sei dizer sobre o fio que me alinhavou a algum site norte americano e desde ele, fui seguindo a direção e descobrindo que “aquilo” tinha tudo a ver comigo, “daquilo” eu gostava! Bem, eu há alguns anos atrás (uns sete) havia decidido que o campo das organizações estava fora do meu mundo de interesses. Eu, que havia por toda a minha vida, trabalhado dentro dele. Mas, havia também estado sempre muito dentro do campo da clínica, e a mais importante formação ali, ainda muito presente no entendimento sobre o sujeito humano, era a psicanálise de abordagem Freud-Lacan. Razão pela qual, me era cada vez mais difícil simpatizar com o que ouvia e lia em revistas e artigos brasileiros, sobre coaching. Entretanto, desenrolando o fio que eu havia começado a puxar, já estava desvelado para mim, que pelo menos fora do Brasil existiam abordagens interessantes, instigantes mesmo, sobre o processo de apoiar outros a desvendar o que está vendado para si mesmo, por falta de reflexões adequadas sobre o assunto em questão. Continuei assim, minha busca e seguindo o fio... consultei mais alguns sites de fora do país, comprei alguns livros da Grã Bretanha e dos Estados Unidos e iniciei o desbravamento de um novo campo de ação profissional, para mim. Passo seguinte foi me interessar por encontrar uma formação no Brasil, pois estava claro que “aquilo” tinha a ver com minha vocação. Entretanto as propostas de cursos/formações que me chegavam, nada tinham a ver com o que eu procurava. A saber, uma formação por princípios, que respeitasse a história e experiência de cada participante e apoiasse seu estilo pessoal de atuar neste campo, oferecendo, entretanto uma orientação segura sobre as bases do processo de coaching.
 
Devo confessar que foi por impossibilidade de agenda (talvez os junguianos dissessem uma sincronicidade), que ao invés de participar de uma formação que não tinha nada a ver comigo, mas que eu pensava fazer para poder me autorizar a atuar neste campo de coaching, mesmo sem empregar a metodologia na qual o curso se apoiava, que acabei me inscrevendo na Formação de Coaching Executivo Empresarial da ABRACEM, coordenado pela Dra. Rosa Krausz. Este oferecia uma agenda possível para meu momento. Iniciei a formação com dois pés atrás, pois aquela senhora tão pequenina, mas com uma voz tão clara e potente, me pareceu no primeiro contato, muito executiva! Puro preconceito de alguém que estava mais para alternativa! A executiva nada tinha de fria, diretiva, impessoal e foi desaparecendo gradativamente aquela primeira impressão. Repito, gradativamente, pois esta senhora não faz nenhum esforço por demonstrar tudo o que sabe, tudo o que sente e tudo o que é. Ele só se revela a quem se interessar por observá-la e compreende-la. Mas não há como escapar ao seu gracioso encanto delicado e sutil e afinal de alguns encontros já estava claro para mim que eu só poderia ter feito a formação com a Dra. Rosa Krausz. E a razão é simples, ela é o modelo da abordagem da formação. Ela não apresenta um modelo, ela não teoriza sobre um modelo, ela simplesmente encarna um modelo e como dizem os apóstolos de Cristo: “quem tiver ouvidos, ouça, quem tiver olhos, veja”
 
A formação de Coaching Executivo Empresarial coordenado por esta grande senhora, ofereceu tudo aquilo que eu buscava. Ela afirma que utiliza como modelo central a abordagem não diretiva de Carl Rogers. E de fato é isto. Ela consegue praticar esta não diretividade, inclusive coordenando o processo do grupo, o qual, ela “deixa rolar”, confiante que se organizará no momento natural em que as pessoas desejarem. Este desejo se torna claro quando os participantes espontaneamente, se dispõem a se desarmar. Verdade seja dita que o fazem por absoluta falta de munição, que ela não oferece de modo algum. Assim, deixando de lado todos nossos saberes trazidos e embalados na bagagem de cada um, para poder demonstrar sempre que possível, nosso grupo se estruturou com base na confiança e na solidariedade pelos momentos difíceis vividos em conjunto, quando fomos convidados a experimentarmos os papéis de coachee e de coach diante de colegas que acreditávamos inicialmente, estarem ávidos para nos criticarem. E foi assim, que mesmo estando no início, com a mesma disposição crítica que usávamos em outras ocasiões de nossas vidas, tudo foi se desmanchando e sem que nos déssemos conta, outra sensação tomou seu lugar. Um agradável sentimento de acolhida aos nossos acertos e nossos erros, em um clima de muito respeito. Ela nos ensinou – sem dizer nada – só fazendo, a dar feedback sem machucar e sobretudo a recebê-lo sem se machucar. Ela, com sua atitude não diretiva e sua expressão sempre invariavelmente neutra, diante das demonstrações de “saber” e contestações de seus pupilos, foi conduzindo seguramente o leme do barco que alguns de seus pupilos (incluindo-me) acostumados a dirigirem, achavam que por vezes estava a deriva... mas não estava. Apenas parecia, para quem tinha um modelo mental diretivo.
 
Assim, o que inicialmente parecia ser algo um tanto solto e causar certa ansiedade naqueles que esperavam um modelo composto por um leque de respostas aos: O que, Porque, Como, Quando e Quem, ou uma caixinha de ferramentas com instruções para uso com segurança, no meio do processo, já estava evidente para todos que o que parecia solto era apenas confiança no outro e na capacidade de auto-descoberta e de auto-organização.
 
A Dra Rosa, confia. Ela acredita mesmo, de verdade no potencial das pessoas e dos grupos humanos. Ela aposta nisso como coach e como coordenadora de uma formação. A abordagem é de uma profunda simplicidade porque ela nos toca fundo no nosso ser. É lá que incide seu modelo, não no nosso comportamento, mas no nosso ser. A questão que talvez nem mesmo ela tem a intenção direta de atuar, mas que é a que mais forte se verifica na sua condução é que para ela o mais importante é ser coach. Tanto que ela afirma ao modo dos psicanalistas lacanianos[1][1], que coaching é uma arte. Por isto, ela é capaz de “segurar” sua ansiedade, sua necessidade narcísica, seu desejo de ver o outro andar mais rápido, e, sobretudo a sua necessidade de acertar e de agradar. É em nome dessa condição de ser coach que insisto que ela não tem um modelo, ela não apresenta um modelo, ela o é.
 
Haveriam mil exemplos de respostas dadas a perguntas dirigidas a ela, onde fica clara sua atitude de profundo respeito ao outro e a mesmo tempo de profunda aceitação de sua potencia apenas humana, ou seja, não onipotente. Ela, não desejando que o outro seja o que ela acha que ele poderia ser, mas sim acreditando que ele será o que pode ou deseja ser, reconhece-se de fato uma parceira no processo de coach e assim se comporta. Um parceiro não coloca metas e nem desejos seus para o outro, mas facilita ao outro que ele reflita e coloque os seus próprios e somente por isso, se posiciona como responsável apenas 50% pela caminhada que ambos farão, em companhia um do outro. Isto parece simples de escrever, mas para os consultores, muito difícil de praticar em profundidade: assumir 50% da responsabilidade pelo processo. Nós achamos que devemos conseguir determinados resultados e isso nos torna incapazes de sermos parceiros, de atuarmos de modo não diretivo. Entenda-se por isto também, de modo não sedutor, ou até mesmo não manipulador em nenhum grau. Somente esta condição nos deixa verdadeiramente livres e permite que o outro seja verdadeiramente livre. Um parceiro reconhece o outro como outro, em profundidade, e embora se esmere ao máximo em encontrar as perguntas chave que promovam condições do outro abrir a guarda para si mesmo e para que possa repensar sua situação, não poderá fazer muito mais do que isto: perguntas potentes e oportunas.
 
Maiêutica é a palavra e Rosa nisso se equivale a Sócrates. Ela é capaz de ser parteira do desejo não reconhecido, pelo outro. Ela é aquela que está presente, ali ao lado, encorajando ao outro que faça os movimentos que precisar, para trazer à sua vida mais auto-conhecimento, e, portanto, mais consciência e assim oportunidade de escolher, decidir e agir.
 
Tudo o que ela ensina, ela pratica, sem alarde, sem autopromoção, na abordagem simples e sem nenhuma espécie de show, na maior simplicidade e espontaneidade. Apresenta sempre princípios norteadores, parâmetros de atuação, exemplos de conduta, mas que nos deixam livres. Uma das grandes aprendizagens no convício com a Dra Rosa, é o exercício da liberdade de ser segundo seu estilo próprio.
 
A formação em Coaching Executivo Empresarial conduzida pela Dra Rosa é um aprendizado em assumir nossa responsabilidade e liberdade de sermos coach.
 
Se isto parece simples, devo lembrar que nada tem de fácil, pois é o desenvolvimento de uma arte, que exige proficiência, mestria, o domínio pessoal (Senge). A arte de sabermos aprender. A arte de sabermos perguntar. A arte de respeitarmos e ao mesmo tempo de estimularmos. A arte de acreditarmos no outro, sermos seu parceiro e não seu condutor. Enfim, a arte da liberdade de ser e de deixar ser.
 
À Dra. Rosa Krausz, meu profundo agradecimento pela sua preciosa presença na minha vida!


 

[1] A psicanálise é uma arte


Cleila Elvira Lyra
cleila@lyraconsultores.com.br
www.lyraconsultores.com
Curitiba - PR

Psicóloga, Mestre em Sociologia das Organizações. Especialista em Psicologia Social, Desenvolvimento Organizacional e Coordenação de Grupos de Treinamento & Desenvolvimento. Formação em Gestalt-terapia. Formação Holìstica, abordagem Transdisciplinar. Formação em Psicanálise, abordagem Freud-Lacan. Professora (1982 a 1990)em cursos de Psicologia e atualmente somente em pós graduações. Foi diretora do Instituto de Psicologia da PUC Pr. Foi Chefe da Divisão de Saude Mental da SESA-PR. Atua desde 1983 em Consultoria para Desenvolvimento Pessoal e Organizacional e desde 2006 como Coach. Para mais informações, consultar site: www.lyraconsultores.com


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